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Artigos

 
  • O ritmo do verso

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 24/10/2006

    A medida real do verso, a métrica, o ritmo, a cadência, a pulsação de um grupo de palavras dispostas com determinado jeito, enfim, tudo o que dá à poesia o seu caráter de canto, de cântico, de cantiga, de peça oral-vocabular, de monólogo cantado em silêncio, tudo está ligado a movimentos e ritmos da vida normal dos homens, a seus ritos cotidianos e a peculiaridades no exercício do seu viver a vida.

  • Informações e deformações

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 23/10/2006

    Trabalho em jornal há bastante tempo. Muitos dos cacoetes da profissão absorvi, mas sempre sobram algumas deformações profissionais que não descem pela garganta.

  • O golpe das privatizações

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 21/10/2006

    A questão das privatizações voltou ao debate político, trazida pelo PT, que encontrou em seu adversário eleitoral, o candidato Geraldo Alckmin, um único pecado realmente grave: é do PSDB, partido que no governo desastrado de FHC privatizou empresas e só não vendeu o Pão de Açúcar porque não encontrou comprador.

  • A vaia e a liberdade

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 20/10/2006

    Já vaiei um presidente da República; com o AI-2, não tinha onde berrar, a não ser na ruaA VAIA -um lugar-comum bastante usado entre cultas gentes- é o aplauso dos que não gostam. Nesse sentido, pode-se dar razão àquele controvertido provérbio de origem oriental, atribuído pelos eruditos a Confúcio: é preferível ter mau hálito a não ter hálito nenhum. Na certa, por deficiência mental da minha parte, não consegui até hoje compreender os dois anexins (admito que fica até difícil entender o que seja um anexim). O que demonstra que não compreendo muitas coisas neste mundo e que, quanto mais os anos passam, entendo menos e pior.

  • Fatos novos e velhos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 19/10/2006

    A dez dias da decisão do segundo turno, a vantagem de Lula sobre Alckmin parece que tende a crescer, garantindo a reeleição. Desde o inicio da campanha eleitoral, quando eram muitos os candidatos, venho dizendo que somente um fato novo e importante derrotaria o atual presidente.

  • O gato e a missão

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 18/10/2006

    Como se não bastassem os problemas antigos e os recentes, eis que consigo mais um: minha filha viajou e deixou-me um gato por missão. Isso mesmo: missão.

  • Do moralismo à ameaça institucional

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 18/10/2006

    Os presidentes do PFL e do PSDB passam à nova etapa da contestação do processo eleitoral. O recurso pedido ao Congresso e à OAB para intervir na averiguação policial do dossiê dos dólares já vai ao abalo da normalidade institucional. E se escora na insensibilidade cívica da eleição do novo Legislativo.

  • Mindlin na Academia

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 17/10/2006

    Viveu a Academia Brasileira de Letras, na semana passada, uma de suas grandes noites que, nos seus 109 anos de existência, pode ser considerada como tendo sido realmente emblemática. O sentido exato desse adjetivo pode ser assim definido: "Emblemático é tudo o que representa simbolicamente a essência de alguma coisa".

  • Os grandes cabotinos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 17/10/2006

    Há tempos só tenho lido biografias. Não é nada, não é nada, cada uma vale por um romance no sentido comum da palavra, ou seja, pega a vida do berço ao túmulo, descreve suas glórias e misérias e, ao mesmo tempo. detalha o painel humano em que viveu.

  • A fortuna do meu tio

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 16/10/2006

    Eu o conheci velho, ainda rijo e saudável, com suas terríveis pupilas negras. Já era tio antes mesmo de ter sobrinhos. Era um título mais ou menos impessoal, dizia-se "tio" como se diz "chove": uma ação que não tem sujeito nem precisa ter complemento.O grande lance de sua vida fora o prêmio da Loteria de Natal que ganhara, segundo alguns, em 1929, segundo outros, em 1926.

  • Política e administração

    Diário do Nordeste (Fortaleza - CE), em 15/10/2006

    A reforma institucional que o País exige pressupõe definir que fins cumpre a Administração que não podem ser exercidos pela Política e que objetivos políticos não podem ser supridos pelo aparelho administrativo do Estado para que se possa atender aos requisitos essenciais de racionalidade e eficiência.

  • Passado & presente

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 15/10/2006

    Os franceses desprezavam os gregos. Os gregos desprezavam os italianos. Os italianos desprezavam os egípcios, os egípcios desprezavam todo mundo e todo mundo desprezava os judeus. A frase é de Roger Peyrefitte, descrevendo o ambiente da Universidade do Cairo por ocasião de uma das crises que envolviam o nacionalismo árabe.Pinço a frase e medito sobre ela. Infelizmente, sempre foi assim, não apenas em relação à nacionalidade de cada um, mas também em relação ao sexo, religião, faixa etária, preferências literárias, musicais e fisiológicas. O desprezo pela opinião do outro, e mais do que pela opinião, pela condição do outro, acompanha a trajetória do homem pela história.Fala-se na juventude, espera-se dela um comportamento melhor, ela própria se acredita o estágio mais bacana da evolução do homem na face da Terra. Mas os jovens se formam e informam através do desprezo e desse modo repetem e agravam o incrível carrossel de burrice e violência que acompanha a humanidade desde que o primeiro macaco descobriu que, com o osso do seu inimigo, podia matar os inimigos. Foi assim que o macaco deu o salto na escala zoológica e se tornou antropóide, mais tarde homem.No caso daqueles que se acreditam na vanguarda da história, eles apenas mudam o objeto do desprezo, a gíria, o visual, mas continuam a repetir a mesma tolice das gerações anteriores, dividindo primariamente o bem do mal, o vermelho do preto, o sim do não. Outro dia, reli as cartas que Mário de Andrade insistia em mandar a seus admiradores. Ele rompia com um passado na medida em que criava um novo passado. A condição de jovem acaba se limitando a uma veste, a códigos que já nascem velhos.É bobagem negar o passado, que nada mais é do que a sucessão fluida de presentes.

  • Baile do cabide

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 14/10/2006

    Não era exatamente um folião. Mas, de cara cheia, topava um baile ou outro, principalmente os da pesada.

  • Debates não mudam mais votos

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 13/10/2006

    O debate da Band acabou em anticlímax. Não se trata de saber quem ganhou, mas quem perdeu menos. E, de parte a parte, esgotaram-se os argumentos para que um novo encontro venha, de fato, a se transformar no fantasma de uma derrota de Lula, ao último momento. O que se assistiu foi, ao mesmo tempo, a pobreza radical da temática, pondo em causa mesmo o nível de cultura política compatível com a expectativa eleitoral e a agonia deste segundo turno.Será em vão que Lula pedirá um confronto de fundo sobre programas de governo. Ou que Alckmin escape da estrita perspectiva paulista, no dizer a que veio. Nem o mero arrolar de cifras ganhará qualquer afrodisíaco para uma mudança de voto. Foi-se à rinha inesperada da agressão, em todos os seus esporões verbais.A contundência não foi ao golpe de temas, nem à convicção do dito, mas a atitude ou ao "caras e bocas", próprias a um programa de auditório. Respostas lidas ou decoradas; afoiteza ou tatibitate, a faltar só ataques mútuos sobre a indumentária, ou à cor das gravatas dos adversários.No jogo só de pontos perdidos, fica a competição por quem mais avançou, no acusar o outro de mentiroso. Mas o gesto largo coube, de qualquer forma, ao presidente, quando cobrou a discussão engasgada; pediu abertura de horizontes, sempre retrancada por Alckmin, ou jogou sem concessões, na amplitude do confronto entre o seu governo e o do antecessor.Uma impressão final, no bater do martelo, é a de que, se a corrupção é generalizada e se incrustou no sistema de poder brasileiro, no governo Lula começa a averiguação e a polícia diz a que vem, e algema.O candidato da oposição mostrou também que não têm mais bala na manga, tanto de fato o moralismo sova o seu argumento logo. Não há mais dinheiro nas gavetas para trazer ao vídeo.Qual a munição final dos tucanos? Não gastou Lula mais em viagens que FHC. A acusação já foi às temeridades inadmissíveis, num percurso fatal, como o do tiro no vídeo - ou no pé.Perderam-se os contendores na floresta de siglas e no febeapá das políticas de educação, sem que Lula pudesse salientar o essencial. O percento hoje do país pobre que chega de fato ao ensino superior dobrou sobre o anterior.A acusação da mentira é a mais promíscua, neste tipo de debate-limite. Repete-se. Mas um debate rui quando um contendor já aposta sobre o nível de consenso da opinião pública; entre argumentos surrados, e trampas da bobagem. O "aero-Lula" foi, de vez, enterrado como sandice sem direitos a coroas. Num quadro de subcultura também, afinal, se viram páginas.Esta eleição tem o número mínimo já de indecisos. E menor, ainda, de néscios ou ingênuos, em quem Alckmin veja, ainda, um reduto de votos.

  • A dignidade do povo

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 13/10/2006

    No atual mundo da globalização, observam-se, mudanças em todos os setores da sociedade, determinadas pelos avanços da ciência e da tecnologia nas áreas da microeletrônica, da inteligência artificial, da engenharia genética, das viagens espaciais, das transformações nos meios de transportes, etc. Vivencia-se uma espécie de Terceira Revolução Industrial, cujos efeitos geram mudanças nos hábitos, costumes, valores e no cotidiano de todos os cidadãos.