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Artigos

 
  • Preto & Branco

    Correio Braziliense (DF), em 10/11/2006

    “Poucos negarão que os negros no Brasil foram vítimas de uma cruel opressão: nosso país foi o último a terminar com a escravatura. Gerou-se daí uma desigualdade histórica, que não será anulada pela simples passagem do tempo”

  • Chega de diagnósticos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 31/10/2006

    Pior do que o período pré-eleitoral, em que se oferecem prognósticos e diagnósticos de tudo, só as longas fases de transição

  • A palavra da poesia

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 31/10/2006

    Terá a palavra uma existência própria, independente da idéia? Um poeta, amoroso de seu instrumento, diria que sim. E teria a seu favor uma opinião muito antiga, de Dionísio de Helicarnaso, que afirmou ser a linguagem "alguma coisa de exterior à paixão ou à idéia que nela se manifestem, e como coisa que pode ser manejada à parte e ter beleza própria, independente do pensamento".

  • Bola demais

    Folha de S. Paulo (SP), em 30/10/2006

    Tempo houve em que um cronista sem assunto era mais ou menos obrigatório, foi talvez a era de ouro do gênero. O cara abria a janela, olhava o mundo e a vida, sentava à máquina e escrevia sobre o nada, a falta de assunto. Eram mestres nessa nobilíssima arte. Hoje, com a inflação de assuntos, as crônicas já não se fazem como antigamente.

  • A guerra não acabou

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 29/10/2006

    Volta e meia sinto vontade de repetir um assunto que me ocupa e preocupa. A falência das mensagens de paz e amor que nasceram nos anos 60, explodiram no movimento hippie e se sofisticaram nas muitas e suspeitas transas orientais.

  • A ABL em Coimbra

    Diário de Pernambuco (PE), em 29/10/2006

    Toda vez que chego a Coimbra enxergo em tudo “um paixão e um selo resistência... uma alma de muralha”. Penso nos tantos brasileiros que ali estudaram, próceres da pátria, confrades e patronos de cadeiras da Academia Brasileira, brasileiros distinguidos com doutoramento e portugueses muito vinculados a nós e vejo o desfile deles todos na minha cabeça.

  • Tom e Vinicius

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 28/10/2006

    Nos meus tempos de redator, recebi o texto de um repórter sobre Tom Jobim. O texto era bom e foi aprovado com as inevitáveis pinceladas de quem o editou. Mas eu fiquei no meu canto, aterrado, não pelo texto em si, que nada tem de aterrorizante, mas pelo que Tom disse ou deixou que o repórter dissesse por ele.

  • Segundo mandato

    Folha de São Paulo (SP), em 27/10/2006

    Salvo um imprevisto de caráter explosivo, o presidente será reeleito. O que significa um segundo mandato de Lula?

  • Opinião: A Democracia

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 27/10/2006

    Na Pnix, em Atenas, os gregos reuniam a ecclêsia, os 6 mil que decidiam, no voto, o destino da cidade. A democracia era direta ou exercida pelo boulê, grupo de 500 escolhidos pela sorte. Não era, ainda, o que chamamos de democracia representativa, embora sem dúvida esta proporção de 1/12 dos cidadãos represente muito mais fielmente a cidade que os parlamentos atuais (um parlamentar para 200 mil a 600 mil cidadãos).

  • A nova esquerda, já

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 27/10/2006

    Os debates do segundo turno tornaram nítidos os ganhos profundos da consciência cívica brasileira diante da volta às urnas. Vamos, de fato, a um plebiscito em que o voto contra Lula tornou clara as alternativas para o nosso processo político. Ao contrário do esperado, não aumentou o coeficiente dos votos nulos, como sepulcro dos votos radicais ou da ingenuidade do bom mocismo, diante do dilema básico esboçado pelo 1° de outubro.Alckmin encarregou-se de passar o óbvio a limpo, na exuberância do que seja o Brasil do status quo, que não precisa de programa., nem de qualquer surpresa quanto a para onde não vamos. Esgotou, no primeiro round, toda munição, como é próprio à arremetida do denuncismo moralista, e de logo começou a queda crescente de votos, o que comprova o desinteresse por qualquer debate como tira-teima eleitoral.Ficou em meio a meio o apoio do "Brasil-bem" à oposição frente ao petista, intacto na sua ressonância no país de fora e na paciência de esperar por um segundo mandato, apesar de Lula. Sem o PT e sem herdeiros, reforça-se do ativo inesperado ganho em toda a "virada de página" entre os dois eleitorados que ora foram ao "plebiscito". Não se trata dos vaticínios do país, por uma vez, geograficamente rachado, nem de uma nação exposta ao dilema de pobres e ricos, no exaurido chavão. É o país da nova prosperidade, ao contrário, o que votou em Lula, na força do crescimento comparado atual do Norte e do Nordeste, frente à quebra do Rio Grande e às situações de decadência enfrentadas em tantas faixas econômicas do Sul.O que calha, afinal, na opinião pública, não é o que se inventa, mas o que, afinal, se desvela como avanço de uma toma de consciência pela mudança. Não se a faz sem o reclamo da presença do Estado no desenvolvimento, em modelo oposto ao das privatizações e ao da lógica pregressa, em que um novo tucanato continuaria o governo FH.No jogo das acusações mútuas, dos exageros e das mentiras, não se pode sempre enganar o inconsciente coletivo. Nessa dimensão, quem sofre da marginalidade coletiva é que encontra o rumo de vencê-la, por um sentido básico de sobrevivência, e vê o voto como opção política decisiva. Tanto a repetição da denúncia da corrupção choveu no molhado de sempre, tanto chegou à consciência nacional o risco da privatização, como fecho e rumo sem volta da prosperidade neoliberal.Defensiva. Definiu-se o "plebiscito", no recuo fatal de Alckmin, no perder o bonde do moralismo, para refugiar-se na patética negativa de que não disse o que disse. A jaqueta do tucano, coberto dos dísticos e insígnias sôfregos da Petrobrás, gritava o travestismo político, passado à melancólica defensiva a partir daí nos debates.O segundo turno permitiu, de vez, esse avanço histórico, em dois tempos, do que seria, em caso contrário, a regressão pindamonho-tucana. Os primeiros dias do novo mandato consagrarão toda uma nova esquerda, na garantia dessa presença do Estado na nova prosperidade do país, do realismo das políticas sociais, saídas dos escrúpulos do desenvolvimento medroso e, sobretudo, das trampas que podem implodir os meses da lua-de-mel do "segundo" Lula. Não vamos perdê-la no fantasma da corrupção, levando às novas desmoralizações dos processos dos sanguessugas e mensaleiros sobreviventes, nem acreditar que é pela reforma política que se dá o passo adiante, tanto o caixa 2 foi o grande vitorioso da reeleição, e o sistema está aí ainda para ficar. Uma nova esquerda, para além do PT, e curada dos pruridos da radicalidade, saída da enfermaria de Heloísa Helena, e fiel ao sentido da nação de Leonel Brizola, tem prazos mínimos para impedir que a clientelização do sistema se transforme no consolo tardio da detergência tucana.

  • Cúmplice dos desertos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 26/10/2006

    Enfim, também sou filho de Deus, e chegou o meu dia. Anos e anos acumulando fracassos, quebrações de cara, o diabo, eu deveria merecer uma compensação, nem que fosse por direito de antigüidade e insistência.

  • Um intérprete do Brasil

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 25/10/2006

    A pergunta apareceu no site Yahoo Respostas: "Alguém conhece um livro chamado Bandeirantes e pioneiros, de Vianna Moog?". A indagação, por todos os motivos meritória - afinal, o melhor jeito de descobrir as coisas é perguntar -, faz pensar sobre a memória cultural do país. A obra de Vianna Moog (1906-1988) marcou época; foi um dos textos mais discutidos em nosso país. Mas, ao que tudo indica, pode ter caído no esquecimento. Por isso é tão oportuno o centenário de nascimento de Clodomir Vianna Moog, no dia 28 deste mês: evoca uma figura singular de nossa literatura que, para nosso orgulho, era gaúcho.

  • Verde ou amarelo

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 24/10/2006

    Assisti a alguns debates dos presidenciáveis. Houve agressividade de parte a parte, mas ninguém beijou a lona. O conteúdo era chato, e meu pensamento resvalou para outras coisas. Na véspera do acidente que levou o Titanic para o fundo do oceano, houve uma reunião no salão nobre do navio a fim de se escolher a cor que deveria predominar no baile que os passageiros estavam programando para a noite anterior à chegada ao porto final. Ignoro se houve primeiro turno.