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Artigos

 
  • A necessidade do homem

    Folha de S.Paulo (SP), em 28/11/2006

    RIO DE JANEIRO - Antigamente, na geração anterior à minha, era moda cultivada entre as gentes: o indagar-se. No encontro de intelectuais com o papa, em 1981, aqui no Rio, Alceu Amoroso Lima contou que, em Veneza, em 1913, sentado no bar do hotel Danieli, teve uma dessas crises e por pouco não ia cometendo suicídio.

  • O mistério dos Orixás

    Tribuna da Imprensa (RJ), em 28/11/2006

    O estudo e a análise das religiões que nos vieram da África dispõem hoje de uma vasta biblioteca. Desde que, em 1905, Nina Rodrigues publicou seu livro "Africanos no Brasil", o assunto passou a ser discutido de vários ângulos, não só em livros de pessoas que freqüentam sessões de cultos afro-brasileiros, mas também no meio acadêmico, inclusive através de estudos de idiomas - como o iorubá, o grunsi, os da região banto, entre outros.

  • De nomes e desditas

    Jornal do Commercio (RJ), em 27/11/2006

    Ludovico dos Santos viveu, até aos 30 anos, sem dar importância ao nome. Nem ao azar: tudo de ruim lhe acontecia, sufocações na primeira infância, erisipela na mocidade, mau hálito permanente, falta de dinheiro crônica, feiúra quase absoluta e absoluta burrice para aprender qualquer coisa, com exceção da nobre arte de sobreviver a tantas e tamanhas dificuldades. Aos 31 anos, descobriu que o nome (Ludovico) talvez fosse o culpado de tudo. E decidiu mudá-lo, avisando a seus inimigos (não tinha amigos) e credores (mas tinha dívidas) que, a partir de tal dia e tal hora, ele mudaria de nome e só atenderia aos que o chamassem de Castelar. Ninguém reclamou. Mas por que não adotava nome mais simples como Jorge, ou para ficar na letra "ele", Luiz? Uma semana depois de ter adotado o nome de Castelar, ele arranjou uma namorada que gostou exatamente de seu nome. Era uma professora primária, passada na vida e nas amarguras, fora casada com um despachante aduaneiro, abortara três vezes, parira outras tantas, e aos 36 anos começara a sofrer de furor uterino. Castelar apaixonou-se por ela e vice-versa. Tiveram um filho que justo se chamou Vice-Versa. Castelar chegou a prosperar na profissão, pois não tinha profissão alguma e com a mulher trabalhando por ele sobrava-lhe mais tempo para nada fazer. Um dia, Castelar encontrou a mulher com um cara chamado Ludovico. Usava argolas nas orelhas, pintava o corpo com uma resina vermelha, era cabeludo e tocava flauta. Ela se apaixonou por Ludovico - e Castelar descobriu que o culpado de suas desditas não era o Ludovico, nome que portara durante tantos anos. Decidiu mudar de nome outra vez, mas já se habituara com o Castelar. Em dúvida, ficou com os dois, ou seja, com o Castelar e o Ludovico.

  • O sorriso da sociedade

    Folha de S.Paulo (SP), em 26/11/2006

    RIO DE JANEIRO - Em 19 de junho de 1915, no saguão do "Jornal do Commercio", na esquina mais nobre do Rio de Janeiro (rua do Ouvidor com avenida Rio Branco), o jornalista Gilberto Amado matou o poeta Annibal Theophilo.

  • Espírito inquieto marca obra

    Folha de S. Paulo (SP), em 25/11/2006

    No dia seguinte ao 31 de março de 1964, dirigi-me à Prefeitura de Porto Alegre. Como muitos jovens, estava abalado com a notícia do golpe; e, como muitos, pensava em resistir, e achei que o pessoal estaria se reunindo na prefeitura.

  • Opinião: O jogo dos sete erros

    Jornal do Brasil (RJ), em 24/11/2006

    O Oriente Médio toma uma direção nunca esperada por nenhum dos planejadores da Guerra do Iraque. Até hoje ninguém sabe exatamente as motivações que levaram ao conflito. Bush justificou-as como a necessidade de uma guerra contra o terrorismo, a existência de armas de destruição em massa, químicas, atômicas ou seja lá o que fosse. Essa versão não resistiu dois meses e restou a de que era mesmo uma birra de família porque - expressão do presidente dos EUA - "Saddam quis matar papai". A doutrina Rumsfeld da guerra preventiva também ruiu por terra porque, se a versão da existência das armas não era verdadeira, a tal prevenção também não era.

  • Ocidente, terrorismo e diferença

    Jornal do Commercio (RJ), em 24/11/2006

    Para onde vai a visão americana depois da vitória democrática, diante da declaração dos experts militares de que será, pelo menos, de dez anos a permanência das tropas no Iraque? E como reagirá Washington à proposta já da Europa mediterrânea, de juntarem-se a França, a Espanha e a Itália, por forçar uma solução para o impasse do Oriente Médio, independentemente do que pense o Salão Oval? Ou, sobretudo, e frente às fendas abertas à hegemonia, pela derrubada de Rumsfeld, o que se pode esperar da passagem do Irã à ofensiva, numa concertação internacional, convidando a Síria, o Iraque - e, especialmente, a Turquia - para a estabilização da área?

  • “Sérgio Buarque de Hollanda teve de explicar, incontáveis vezes, que cordialidade não é sinônimo de cortesia, de gentileza, de boa educação”

    Correio Braziliense (DF), em 24/11/2006

    Há 70 anos era publicada, no Rio de Janeiro, uma obra que marcaria de forma indelével a cultura brasileira. Trata-se de Raízes do Brasil. O autor, o intelectual, historiador e antropólogo Sérgio Buarque de Hollanda, é por muitos conhecido como o pai do Chico, o que mostra o poder do genoma; mas ele é, sobretudo, um lúcido intérprete da realidade brasileira.

  • A graça sem graça

    Jornal do Commercio (RJ), em 23/11/2006

    No princípio, a inteligência estava acima de todas as coisas. Lado a lado com a beleza - que, já dizia Platão, é o esplendor da verdade.Aos poucos, com os trancos e barrancos da vida, fui percebendo que a inteligência era uma baia (não confundir com Bahia) onde a burrice se cevava, engordava, dava crias. E a beleza, bem, nada mais era do que um ponto de vista.

  • Marte sobre Escorpião

    Jornal do Commercio (RJ), em 22/11/2006

    Deu-se que, folheando uma revista estrangeira, tomei conhecimento de que em Campione, na Itália, os cobras dos cobras em matéria de astros estiveram reunidos numconvescote científico e moral. Li as conclusões a que chegaram os doutos - e cito alguns deles: o ex-astrólogo de Fellini, o oráculo da nobreza inglesa,a ex-modelo de Chanel, Elisabeth Tessier Du Cros, a maga famosa na França, por aí afora. Bem verdade que senti falta de Paulo Coelho neste seleção de sábios esotéricos, mas nem tudo é perfeito neste mundo regido por forças além da nossa vã filosofia.

  • Os números não mentem

    Jornal do Brasil (RJ), em 22/11/2006

    O Estado do Rio de Janeiro é a capital cultural do Brasil e também a segunda unidade da Federação em matéria de PIB, só perdendo para Brasília, que é favorecida pela ação do governo federal. Existe uma balela de que o Estado está sofrendo um processo de esvaziamento econômico. Não é isso que os números revelam, como mostraremos a seguir.

  • O ovo da serpente

    Jornal do Commercio (RJ), em 21/11/2006

    Quando a classe política, como um todo, chega a um consenso operacional, a experiência ensina que nada será feito para concretizar o circunstancial consenso. Ele servirá apenas para declarações bem intencionadas e para a formação da seguinte estratégia: se todos estamos de acordo neste assunto, por que não o deixar para mais tarde?

  • O Iraque no Brasil

    Tribuna da Imprensa (RJ), em 21/11/2006

    Qualquer que seja o assunto de um romance, de uma obra literária narrativa, seu caráter interno pertence a uma longa linhagem de contadores de histórias, em que tanto estariam os livros de cavalaria, as novelas picarescas e até os livros religiosos em que se contam casos que servem de exemplos a quem os lê. Claro que o romance policial, o de aventuras e aqueles que chamamos de livros de ação, fazem também parte desse mundo literário em que vivemos.

  • Grave preocupação

    Diário da Manhã (GO), em 19/11/2006

    Imagino que o gentil leitor ou a encantadora leitora possa suspirar mal resignados, diante do título acima: lá vem ele com assombrações para o futuro do País outra vez. Ledíssimo engano, pois não estou com preocupação nenhuma em relação a “este país”. As fontes oficiais, a começar pelo presidente, nos revelam que o País está pronto. Está tudo arrumado para o desenrolar do espetáculo do crescimento, chega a dar para sentir no ar o clima de largada para a Grande Disparada à Frente que experimentaremos a partir do próximo mandato. É só esperarmos até o novo ano, não vamos começar agora, com o Natal, o réveillon e a Semana Santa já aí. A data certa é um belo dia de abril, para ficar tudo ajeitado como devia e o homem dar a bandeirada.