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Artigos

 
  • O islã, judeus e cristãos

    Folha de S. Paulo (SP), em 26/10/2007

    SE HÁ UM POVO sofrido é o curdo. A história não tem sido generosa com eles. Seu sofrimento é milenar. Agora, uma vez mais, eles estão no meio de um massacre. Pelo que eles lutam há séculos? Por uma nação independente, que se chamaria Curdistão.

  • A ação e o hábito

    Extra (RJ), em 26/10/2007

    “Qual é a melhor maneira de agir na vida?”, perguntou o discípulo ao mestre durante uma conversa. Sem lhe dar a resposta, o mestre pediu a ele que construísse uma mesa. Quando o móvel estava quase ficando pronto, faltando apenas os pregos de cima para serem afixados, o mestre aproximou-se. O discípulo cravava todos os pregos com três golpes precisos. Um prego, porém, estava mais difícil de entrar na madeira, numa parte onde havia um nó, e o discípulo precisou dar mais um golpe. O quarto golpe acabou enterrando o prego fundo demais e a madeira foi atingida. “Sua mão estava acostumada com três marteladas”, começou a explicar o mestre: “Quando qualquer ação de nossas vidas passa a ser apenas um hábito, ela perde seu sentido e pode terminar causando danos. Cada ação é somente uma ação e só existe um segredo: jamais deixe que o hábito comande seus movimentos”.

  • O desassombro de José Aparecido

    Jornal do Commercio (RJ), em 26/10/2007

    José Aparecido levou, no seu melhor coloquial, nossa mineiridade a uma dimensão cívica para ficar. Na inteireza do seu compromisso, foi ao desassombro. A coragem ganhava, teimosa, e sempre, a grande causa. O proverbial da velha cultura política brasileira vinha, pela conversa sem trégua, à transparência de um convencimento. As meras lealdades de grupo ou clã passavam a uma concertação, à visão coletiva do projeto nacional.

  • Realismo socialista

    Correio Braziliense (DF), em 26/10/2007

    Não é exagero dizer que a Revolução Russa, cujo nonagésimo aniversário está agora sendo lembrado (eu ia dizer celebrado, mas esta celebração, se existe, é para poucos) marcou o século vinte. Uma marca que era, a um tempo, política, econômica, social e cultural. Na esteira do movimento de 1917 surgiram diretrizes para a arte, para o cinema, para o teatro, para a literatura. Estas diretrizes podiam ser sumarizadas numa expressão: realismo socialista. O princípio básico do realismo socialista era simples: a arte e a cultura em geral deveriam estar a serviço dos ideais revolucionários. Em outras palavras (mas estas nunca eram admitidas pelos líderes), tratava-se de propaganda.

  • A vida fácil

    Folha de S. Paulo (SP), em 25/10/2007

    RIO DE JANEIRO - O teólogo suíço Hans Küng esteve entre nós e, mais uma vez, expressou a sua idéia básica: "A igreja (romana) deve tornar a vida das pessoas mais fácil, e não mais difícil". Ele desce a exemplos sintomáticos das dificuldades que a religião, no caso a católica, cria para seus adeptos. Acontece que todas as religiões, inclusive a católica, não se destinam a criar uma vida mais fácil para seus fiéis. Pretendem criar uma vida melhor em relação com o Deus escolhido.

  • Sacrifício para o céu

    Extra (RJ), em 25/10/2007

    Quando perguntaram ao abade Antônio se o caminho do sacrifício levava ao céu, ele respondeu: “Existem dois caminhos de sacrifício. O primeiro é o do homem que faz penitência porque acha que estamos condenados. Este homem se julga indigno de viver feliz. Neste caso, ele não chega a lugar nenhum, porque Deus não habita as nossas culpas. O segundo é o do homem que, embora sabendo que o mundo não é perfeito, faz penitência e oferece seu trabalho para melhorar o ambiente. Neste caso, a presença Divina o ajuda e ele consegue resultados no Céu”.

  • Alma da África

    Tribuna da Imprensa (RJ), em 23/10/2007

    Muitas das esculturas africanas que Zora e o autor destas linhas trouxemos da África estão agora em exposição no Arte Sesc, no Flamengo (Rua Marquês de Abrantes, 99). Com a morte de Zora fiz questão de promover esta exibição pública antes de montar um local permanente em que as máscaras gueledés do escultor Simplice Ajaiy, do Benin, se juntem às perto de duzentas peças que formam nossa coleção num museu Antonio Olinto - Zora Seljan que dará ao Rio de Janeiro um novo centro cultural ligado à cultura africana.

  • Fatos e fotos

    Folha de S. Paulo (SP), em 23/10/2007

    RIO DE JANEIRO - Feliz a época que, em vez de um, produz dois logotipos. Vivemos um tempo em que as imagens valem mais do que as palavras e conceitos. A Guerra do Vietnã, com a sua crua obscenidade, ficou naquela foto da menina nua e queimada pela napalm. Bem menos trágica, mas reveladora do transe que agora vivemos, temos dois momentos que certamente não ficarão para sempre, mas enquanto durarem servirão de síntese de nossas agruras e penas.

  • De prender o vento

    Extra (RJ), em 23/10/2007

    Um estranho procurou o abade no mosteiro de Sceta. “Quero melhorar minha vida”, disse ele. “Mas não consigo deixar de pensar em coisas pecaminosas”. O abade Pastor reparou que ventava lá fora, e pediu ao estranho: “Aqui está muito quente. Será que o senhor podia pegar um pouco de vento de lá fora, e trazê-lo para refrescar esta sala?”. Isto é impossível”, disse o estranho. “Da mesma maneira, é impossível deixar de pensar em coisas que ofendam a Deus”, respondeu o abade: “Mas, se você souber dizer não às tentações, elas não vão lhe causar nenhum mal”.

  • A paixão pelo livro

    Folha de S. Paulo (SP), em 22/10/2007

    Acho que ele não conhecia a minha frase, porque o livro de bronze foi um engano, não é mesmo, caro Drummond?

  • O caminho da oração

    Extra (RJ), em 22/10/2007

    Para pensar com o coração. “Há algo mais importante que a oração?”, perguntou o discípulo ao seu mestre. Este pediu que o discípulo fosse até um arbusto mais próximo e cortasse um ramo. O discípulo, então obedeceu. “A árvore continua viva?”, perguntou o mestre. “Tão viva como antes”, respondeu o discípulo, sem entender a pergunta. “Então vá até lá e corte a raiz”, pediu o mestre. “Se eu fizer isto, a árvore morrerá”, disse o discípulo. “As orações são os ramos da árvore, cuja raiz se chama fé”, disse o mestre. Pode existir fé sem oração, mas não oração sem fé”.

  • Estas pequenas coisas

    Folha de S. Paulo (SP), em 21/10/2007

    RIO DE JANEIRO - Consumado (e assumido) espírito de porco, adoro remar contra a maré e embarcar em canoas furadas. Em matéria de cinema, por exemplo, acredito que seja o único a não gostar de "Quanto mais Quente Melhor", do Billy Wilder. Mas credito a ele duas obras-primas: no drama, o genial "Crepúsculo dos Deuses"; na comédia, o melhor filme italiano feito fora da Itália, "Avanti". Quanto mais o tempo passa, mais gosto de Billy Wilder.

  • Was für ein Lügner!

    O Estado de S. Paulo (SP), em 21/10/2007

    Não sei por que, algo me diz que a frase acima ("que mentiroso!", em alemão) será das mais proferidas entre alguns círculos intelectuais de Berlim, nas próximas três semanas, ou coisa assim. Hoje embarco para lá, onde devo passar uns 20 dias. (Receio que nenhum de vocês possa comemorar o fato, porque, a não ser que meu bravo quão idoso notebook negue fogo, pretendo mandar a coluna a partir de lá, não contavam com a minha astúcia.) Como sempre, nessas ocasiões, não sei bem para o que me convidaram e o que vou fazer, mas, apesar de inicialmente atarantado, acabo por não envergonhar Itaparica e os amigos, digo lá minhas coisinhas em que eles prestam atenção.

  • A Fapesp e as duas culturas

    O Estado de S. Paulo (SP), em 21/10/2007

    O significado originário da palavra ciência (do latim scientia) é conhecimento. Até o século 19 a dicotomia cultura científica/cultura das humanidades não era de curso corrente nessa matéria. O grande mapa do conhecimento do século 18 - o das luzes e da razão -, a Enciclopédia, não foi estruturado em torno da divisão ciências/humanidades. Data do Romantismo e da Revolução Industrial, no século 19, a ansiedade relativa à separação entre as ciências exatas e as ciências humanas. Provém do impacto do conhecimento científico-tecnológico no funcionamento das sociedades. Deriva da preocupação que o cálculo e a mensuração, inerentes ao método científico, poderia abafar o cultivo da personalidade e da sensibilidade que as humanidades propiciam. Por isso o tema se desdobrou em discussões sobre os currículos escolares e o papel da educação, e no debate público separou os defensores das exatas e das humanidades, os românticos dos utilitários.