“Mostra 2010 de Cinema e Literatura” exibe "Cão sem dono", de Beto Brant
Publicada em 08/09/2010
Publicada em 08/09/2010
Publicada em 08/09/2010
Publicada em 08/09/2010
"Senhores passageiros, sejam muito bem-vindos ao nosso voo. Como informou o nosso comandante, estamos prontos para decolar. Peço, pois, que afivelem seus cinturões, retornem o encosto da poltrona para a posição vertical e mantenham travada a mesinha à sua frente. A partir desse momento, todos os equipamentos eletrônicos deverão ser desligados.
Quando o Brasil foi eliminado da Copa, ouviram-se comentários irritados contra Dunga, contra jogadores, contra a CBF. Mas a frase mais comum foi o clássico Fazer o quê?, marca registrada do fatalismo brasileiro. Perdemos, fazer o quê? Poderia seguir-se o igualmente habitual seja o que Deus quiser, mas, considerando que o Senhor está um pouco acima das misérias do futebol, as pessoas resolveram, ao menos nesse transe, deixá-Lo em paz.
Zico, em entrevista, finalmente cobrou as consequências do que ora vê o Brasil, no horror do crime de Bruno e seus asseclas. Dá-se conta o país do quanto a marginalidade infestou o cotidiano dos jogadores do esporte sumo. Mais, ainda, permitiu-lhes a sensação de impunidade, em que o goleiro surge, na sequência de outros astros frequentadores de drogas, nas paradas sexuais da Barra, ou na farra permanente. Não testamos, ainda, o quanto esta nossa preguiçosa tolerância engole a consciência, diante da abominação.
De quem primeiro ouvi a expressão judicialização da política foi do ministro Nelson Jobim, quando assumiu, há alguns anos, a presidência do Supremo Tribunal Federal.Ele expressava o desconforto em que o próprio STF se encontrava, convocado a dirimir querelas políticas que deveriam ser resolvidas pelos próprios políticos, dentro do jogo democrático. Isso é ruim para a democracia e para a Justiça. De um tempo para cá, sobretudo depois que a Constituição de 88 estabeleceu a Ação Direta de Inconstitucionalidade, todo conflito político passou a ter uma segunda instância, que é o apelo a uma solução judicial. Os Poderes harmônicos e independentes entre si passaram a ter um vaso comunicante, que desemboca na tendência de cada vez mais provocar uma enxurrada de leis, muitas delas casuísticas e desnecessárias.
Não é de admirar que, por muito tempo, o apedrejamento tenha sido uma clássica forma de execução no Oriente Médio. Pedra é coisa que não falta naquela região árida. Além disso, pedra representa a natureza no seu aspecto mais primitivo: usada para liquidar a vida humana, a mesma vida que Deus criou a partir do barro, adquire um óbvio caráter simbólico. A morte por apedrejamento é lenta, cruel, impiedosa, uma morte que supostamente deve ser a punição para os culpados de vários crimes: a blasfêmia, a idolatria e, sobretudo, o adultério.
É uma dúvida que se discute nos meios intelectuais. Será possível existir literatura quando o tema é futebol, o nosso esporte mais popular? O assunto foi debatido na Academia Brasileira de Letras, no seminário “Brasil, Brasis”, com a participação inclusive do técnico Dunga (muito aplaudido).
Andando pelo Jardim do Eden, Adão e Eva avistavam constantemente a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e seus tentadores, mas proibidos, frutos. Desta maneira, não foi difícil para a serpente induzi-los à transgressão. Será que o mesmo aconteceria se a árvore estivesse a quilômetros de distância, exigindo do primeiro homem e da primeira mulher um longo deslocamento, quem sabe uma viagem? Talvez não. Parafraseando a conhecida expressão, longe dos olhos, longe do estômago. Todo mundo sabe que um refrigerador cheio de coisas apetitosas não perde para fruto proibido algum em matéria de tentação. E o mesmo se pode dizer de um prato cheio. Expressão que, aliás, tem dois sentidos: de um lado significa fartura, abundância; de outro é um apelo à malícia, à safadeza.
É justíssima a homenagem que a Uni-Rio prestou, por intermédio da reitora Malvina Tuttman, à figura emblemática de Machado de Assis. Ele mereceu, por sua obra, o título de Doutor Honoris Causa desta importante universidade federal, que foi outorgado ao autor de Dom Casmurro em sessão solene.
Embora os resultados ainda não sejam apreciáveis, é evidente a existência, hoje, de um movimento no sentido do aprimoramento das políticas públicas voltadas ao ensino médio. Valoriza-se a Gestão de Pessoas, com esse fim, priorizando-se a temática da diversidade e do comportamento humano.
Na próxima semana, estarei na Flip, a já lendária Festa Literária de Paraty, onde participarei em várias atividades, uma das quais aguardo com muito interesse. Coordenarei um painel em que participam dois escritores famosos, o israelense A. Yeoshua e a iraniana (exilada) Azar Nafisi. Se tivesse nascido no Brasil, Azar poderia dizer que seu nome condicionou um destino; de fato, não foram poucas as atribulações pelas quais passou. Filha de um casal conhecido no Irã (o pai foi prefeito de Teerã, a mãe, deputada), Nafisi estudou na Inglaterra e graduou-se em letras na Universidade de Oklahoma. Quando os fundamentalistas tomaram o poder no Irã, começaram seus problemas: recusando-se a usar o véu, ela foi proibida de lecionar na Universidade de Teerã e acabou emigrando para os Estados Unidos. Sua história está em dois livros, o best-seller Lendo Lolita em Teerã e O Que Eu não Contei.
Cães excluídos da adoção ganham tratamento vip em SP. Em vez de chihuahuas fofinhos, a advogada Audrei Feitosa, 39, preferiu acolher Kiko, um vira-lata "grande, velho e com dente todo podre". Ela se autodenomina protetora dos cães fracos e indefesos. Para preservar o título, monitora de seu apartamento, em Higienópolis, no centro de São Paulo, o resgate de animais abandonados. Quanto mais idade e problemas de saúde, mais o bicho vira "inadotável", diz. Para os rejeitados, ela e uma amiga mantêm, no sítio de um conhecido em Jundiaí (58 km de SP), cinco canis "de luxo", com ração premium, cobertores e cuidado veterinário. Juntas, pagam a um "caseiro canino"" R$ 200 por animal. Atualmente, são 30. A dona de casa Cleide Jacomini, 51, foi além. Aluga, na Freguesia do Ó, uma casa especialmente para dez cachorros recolhidos na rua. Cotidiano, 5 de julho de 2010
A popularidade de Lula, de 84% de apoio, em fins de governo, não levou o País a dar-se conta ainda, e por inteiro, do novo capital de respeito de que gozamos lá fora. Somamos nisto a expansão da prosperidade com a distribuição de renda e o avanço democrático. É por aí mesmo que nos distinguimos dos outros Brics, neste conjunto de nações que hoje se contrapõe às hegemonias cansadas em que saímos do século XX.