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Artigos

  • Hoje como ontem

    O Globo, em 14/08/2022

    Nas eleições de 2018, produzi neste espaço alguns textos que, embora ingênuos e quase nunca agressivos, acabaram provocando reações diversas e adversas, sendo algumas bastante ameaçadoras. Hoje, quatro anos depois, releio esses artigos e fico pensando em como tudo piorou tanto. Fico pensando em como se comportam hoje os que me ameaçaram em 2018 por quase nada. Será que devo até me esconder deles?

  • O Supremo contra si mesmo

    Estadão Online, em 12/08/2022

    A funcionalidade do Supremo está sendo vítima de ataque externo do Poder Executivo e bolsonarismo. É vítima também de ataque interno.

  • Os Saberes da Língua Portuguesa

    Jornal do Commercio, em 08/08/2022

    O nosso inconformismo com os exageros do uso da língua inglesa na realidade brasileira levou-nos à elaboração de uma palestra, na Confederação Nacional do Comércio, sobre os saberes da língua portuguesa. Pela reação da plateia do Conselho de Notáveis da CNC posso concluir que houve um retorno bastante apreciável, como se pode medir pelo número dos que pediram a palavra após os 45 minutos regulamentares, a partir da engenheira Olga Simbalista, que confessou que a minha palestra lhe abriu o coração. Depois, o conselheiro Nelson Melo e Souza confessou que temos um passado comum, na pessoa do professor Antenor Nascentes, que trabalhou com seu pai.

  • A vida no lugar da morte

    O Globo, em 07/08/2022

    É a Humanidade que está se desfazendo ou são os meios de comunicação que se multiplicaram e se aperfeiçoaram, colocando-nos imediatamente a par de tudo o que está acontecendo no mundo? Num passado não muito distante, nós levávamos um certo tempo para saber o que se passava na Europa ou em qualquer outro continente desse planeta.

  • Purcina mergulhada em trevas

    Folha de S. Paulo, em 31/07/2022

    É um volume pequeno, mas impacta e comove. Atualíssimo. Dona Purcina, a Matriarca dos Loucos, da Oficina da Palavra de Teresina, foi escrito com dor por Cineas Santos, filho desta matriarca nordestina, acolhedora e generosa. Por que a produção do Norte e Nordeste não chega a São Paulo e ao Rio? Há um vácuo e perdemos momentos de emoção. Purcina, figura complexa, autoritária, doce e feita de certezas. Diz Cineas que ela, simples doceira do sertão, 'com sua lógica enviesada, encontrava solução para os problemas mais complexos'. Acrescenta: 'Para os muitos que a amavam foi extremamente doloroso vê-la no final da vida, ausente de si mesma, sequestrada pelo mal de Alzheimer'.

  • Como ser feliz

    O Globo, em 31/07/2022

    Não preciso dizer que nunca vi na minha vida fotos tão belas sobre a Amazônia. Acho que todo mundo está cansado de ouvir isso das fotografias de Sebastião Salgado sobre a região. Eu já as tinha revisto em exposição, no Museu do Amanhã, uma mostra em cartaz com a participação de sua companheira, Lélia Wanick Salgado, mais uma vez preciosa e fundamental a nos iluminar com o que é especial naquilo tudo (só ela é capaz de destacar com precisão o que está exposto).

  • A Paixão segundo Cony

    Jornal de Letras de Lisboa, em 27/07/2022

    Li de uma só vez, com duas pausas, se muitas, da madrugada ao amanhecer, o romance póstumo do inquieto e fascinante Carlos Heitor Cony. Como quem descobre uma carta não enviada, perdida numa gaveta entreaberta, sem destinatário – a todos e ninguém –, consignado, muito embora, o remetente, num jogo de espelhos remissivos. Faltou pouco para escoimar uma e outra parte, cortes e acréscimos, como deixou claro, na última revisão, suspensa em 2005, através de um movimento pendular: frontal e irresoluto, áspero e compassivo. Acenos de utopia e desencanto, estrela e solidão, no céu escuro deste século. Livro que flui para o leitor, na lisa superfície da narrativa, mas que se escreve sob dura condição, áspera e irregular. Legato que repousa na soma de staccati. 

  • Os 125 anos da Academia

    Portal Metrópoles Online , em 26/07/2022

    Fui o orador da sessão de comemoração dos 125 anos da Academia Brasileira de Letras. Para toda a cultura brasileira e não só para nós, acadêmicos, é uma data importante. Criada no final do século XIX por um grupo de escritores sobre uma ideia que já vinha da colônia e que tinha como grande modelo a Academia Francesa, ela se desenvolveu a partir dos jantares mensais da Revista Brasileira, de José Veríssimo. Ali, tendo como ativistas Lúcio de Mendonça e Medeiros de Albuquerque, e como bússola discretos sinais de Machado de Assis, se reuniam ainda Joaquim Nabuco, Graça Aranha, Alberto de Oliveira, Rodrigo Otávio, 'a literatura, a política, a medicina, a jurisprudência, a armada, a administração?', nas palavras de Machado.

  • Um discurso histórico

    O Globo, em 24/07/2022

    O ex-presidente José Sarney, como seu decano, orador oficial da sessão solene dos 125 anos da Academia Brasileira de Letras, fez um discurso unanimemente reconhecido como de importância histórica e política. Sua manifestação pela defesa das eleições e da democracia foi fundamental nesses momentos turbulentos que vivemos. Dito do púlpito da ABL, deu relevo à posição institucional de defesa da cultura e da liberdade de expressão.

  • A disputa dos filmes

    O Globo, em 24/07/2022

    Os filmes continuam nos ensinando coisas que, de outro jeito, nunca saberíamos. Na versão recente de “Top Gun: Maverick”, o personagem de Tom Cruise diz que quer descobrir quem ele é mesmo. Ed Harris não responde exatamente o que ele pergunta, mas lhe dá uma deixa troncha: “Gente como você está em vias de extinção”. Cada cabeça participando desse diálogo guarda um sentido para a resposta. E fervem de pensar.

  • O futuro da ABL

    O Globo, em 20/07/2022

    A plateia de jovens emocionados que na semana passada lotou o teatro da Academia Brasileira de Letras, aplaudindo de pé Fernanda Montenegro, abriu uma brecha por onde se entrevê o futuro.

  • Geração vem, geração vai

    O Estado de S. Paulo , em 17/07/2022

    Lembra-se, Benedito Ruy Barbosa? Final dos anos 1950. Na redação do jornal Última Hora, éramos jovens caipiras, eu de Araraquara, você nascido em Gália, mas vindo de Vera Cruz, vizinha a Marília. Você começou no jornal de seu pai, A Voz de Vera Cruz, eu na Folha Ferroviária, depois no Correio Popular e em O Imparcial. Ambiciosos, queríamos ser alguém naquele jornal que tinha Nelson Rodrigues, Stanislaw Ponte Preta, Arapuã, Nelson Werneck Sodré, Wilson Rahal, Jacinto de Thormes, Adalgisa Nery, figura exponenciais. Vera Cruz nos ligou, eu tinha passado infância e adolescência naquela cidade.

  • Ainda o golpe

    O Globo, em 17/07/2022

    O fantasma de um golpe domina as conversas não apenas dos cidadãos comuns, mas ainda mais as dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não foi aleatória a escolha do objetivo da terceira rodada de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que se dedicou a avaliar se o TSE estabeleceu mecanismo de gestão de riscos adequado para garantir proteção aos processos críticos do  sistema eleitoral, de forma a evitar a interrupção da normalidade das eleições em caso de incidentes graves, falhas ou desastres, ou assegurar a sua retomada em tempo hábil a não prejudicar o resultado das eleições.

  • Onde cabemos todos

    O Globo, em 17/07/2022

    É claro que o Brasil não anda lá muito bem das pernas. Se você não tiver preconceitos, se for uma pessoa que não se importa em falar mal do que ama, não vai sofrer quase nada com essa intuição crítica difícil de ser ignorada. A única saída a que você pode recorrer é lembrar e repetir sempre que não é o Brasil que não anda muito bem das pernas. É o mundo.

  • A raiz da violência

    O Globo, em 14/07/2022

    O caso do assassinato de um ativista petista por um agente penitenciário bolsonarista é simbólico de alguns fenômenos muito típicos do momento crítico que o país vive. O presidente Bolsonaro aproveita-se de uma divisão familiar, infelizmente comum hoje em dia, para imiscuir-se entre os familiares do morto neste momento de dor, não para apresentar condolências à viúva e aos filhos, mas para extrair dos irmãos bolsonaristas palavras de apoio, livrando-o da responsabilidade pelo ambiente de tensão e violência que tomou conta da campanha eleitoral. Aumenta, assim, a divisão familiar.