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Discurso de recepção

Discurso de recepção por Joaquim Falcão
  1. Seja bem-vindo, Paulo Niemeyer Soares Filho. Esta noite, nesta Casa, é seu dia.

 

  1. Hoje, renovamos um ritual. Que nos é muito caro: o de receber mais um Acadêmico.

 

  1. Nesta sociedade global da pressa e da velocidade, onde o tempo, de tão solido, se desfaz no instante, não basta estarmos apenas no mundo.

 

  1. Como diz Byung-Chul Han, precisamos estar no mundo e em casa. Ao mesmo tempo. Não é por menos que nos denominamos Casa de Machado de Assis.

 

  1. Agora, esta Casa também é sua.

 

  1. Fui escolhido para, neste ritual, saudá-lo em nome da Casa.

 

  1. Como fazê-lo? São muitos os caminhos para um discurso de recepção. É preciso, porém, decidir. Escolher um como ideia central desta homenagem que lhe fazemos.

 

  1. Convido, portanto, todos a visitarem comigo o claustro do Convento de São Francisco. Em Salvador, terra de Gilberto Gil, na Bahia. De belíssima capela dourada, deslumbrante azulejaria. Patrimônio do século XVII.

 

  1. São trinta e sete painéis nas quatro alas do claustro. Reproduzem, em azul e branco, diversas cenas e dísticos bíblicos. Inspirados em Horácio, poeta e filosofo estoico.

 

  1. Um destes painéis diz: “A virtude se revela na ação”.

 

  1. Cabe-me, então, revelar suas ações para

encontrar suas virtudes.

 

 

 

 

 

  1. Você já deve ter percebido aonde vamos chegar. Acostumado a abrir os cérebros de seus pacientes, hoje, os papeis se inverterão. Nós é que vamos desvendar seu cérebro. Sua mente. De onde partem suas ações. Sua vida!

 

= II =

A importância do ritual

 

  1. Mas antes, permitam, bem dizer da importância deste ritual.

 

  1. Ritual não é rotina. Ao contrário. Saímos do dia a dia. Vestimos nossos fardões. Abrimos o Salão Verde. Cumprimos rito que define nossa própria identidade.

 

  1. O ritual se distingue da rotina porque consegue produzir intensidade na permanência. Para continuarmos a sermos quem somos.

 

  1. Não é fugaz conjuntura. Não é um evento. Não é vento. Um aparecer de repente. É repetição. Rituais criam comunidade com identidade.

 

  1. E vou além. Este ritual celebra, de corpo e alma, a pluralidade de que somos feitos.

 

  1. Somos uma Casa de integração, diálogos, múltiplas visões de Brasil, múltiplas profissões, talentos e habilidades.

 

  1. Sentaram-se e nos sentamos, lado a lado, nas cadeiras verdes, poetas e cantadores, romancistas, jornalistas, artistas, cineastas, juristas, médicos, políticos, economistas, filósofos, historiadores, filólogos e tantos outros.

 

  1. Como você apontou, você é o 24º médico a estar entre nós. Soma-se a Miguel Couto, Oswaldo Cruz, Clementino Fraga, Carlos Chagas Filho, Aloysio de Castro e outros que nos honraram.

 

  1. Somos múltiplos. Num Brasil ainda mais múltiplo. Plural em suas sensualidades, sexualidades, homens, mulheres, brancos, pretos, índios e, sobretudo, mestiços. Somos mestiços, sincréticos, e não multiculturais sectários, como nos lembram o Acadêmico Eduardo Giannetti e Miguel Darcy de Oliveira.

 

  1. Você, Paulo Niemeyer, é múltiplo também: médico, cientista, educador, empreendedor, líder profissional, comunitário e nacional. “Faz a diferença”. Cidadão pleno.

 

  1. Vivemos novos tempos na produção e difusão do pensamento, do conhecimento, do sentimento e do encantamento. Ciência exata e humana de mãos dadas. A intuição guiando a razão. A memória fundamentando o futuro.

 

  1. Aqui, na fragmentação profissional e cultural dos Acadêmicos, em nossas diferenças, celebramos a energia vital coletiva para a construção da língua, do conhecimento e do encantamento. Do Brasil. Com, através e além das letras.

 

 

 

  1. Somos             disciplinares.             Também, interdisciplinares,                    multidisciplinares, transdisciplinares e extradisciplinares. Até mesmo a-disciplinares, poderia ter dito Gilberto Freyre. Concomitantemente.

 

  1. Vivemos cérebro e mente. Ciências exatas e ciências humanas de mãos dadas. O saber e o fazer.

 

  1. Na diferença convergente, construímos nossa permanência no tempo. Em julho, completaremos 125 anos de existência. O Presidente Merval Pereira vai liderar e celebrar justamente isto.

 

= III =

Homenagem aos profissionais da saúde

 

  1. Paulo Niemeyer opera com a sala escura. Proíbe celulares. Impõe silencio absoluto. A única luz que se vê, solitária, é a do seu microscópio. Há muito de simbolismo nesta luz.

 

  1. Senhores e senhoras, médicos, médicas, cientistas, enfermeiros e enfermeiras, profissionais da saúde, fisioterapeutas aqui presentes: vocês foram luz da esperança contra a mentira, a chacota, o desprezo, a politização da pandemia da covid-19.

 

  1. Parafraseando os Acadêmicos Gilberto Gil e Antônio Carlos Secchin, vocês foram a noite de luar na escuridão pela qual passamos.

 

  1. Peço a todos uma salva de palmas de agradecimento.

 

= IV =

O conceito de decisão

 

  1. No dia em que completou 50 anos, cumprindo requisito para entrar na Academia Nacional de Medicina, Paulo escreveu a tese “Experiência com a Cirurgia dos Aneurismas Intracranianos da Fossa Posterior”.

 

  1. Sua tese, para surpresa minha, inicia com ninguém mais, ninguém menos, que Marcel Proust em “A Busca do Tempo Perdido”: “É o faro (em

 

francês, le flair) que ocasiona tanto a decisão do grande general como do grande médico”. Faro enquanto intuição.

 

  1. Pergunto: quais decisões fazem de um médico, um grande médico? De onde vêm? Em que se fundamentam? Que valores respeitam? Que fins almejam?

 

  1. Este é meu tema central. Meu fio condutor. Quais os fatores que fazem, de uma decisão, uma grande decisão? Você é o personagem central.

 

  1. Ao tentar desvendar seu cérebro, Paulo, precisamos antes estar de acordo sobre o que é uma decisão. Como a que tomei quando os levei há pouco ao Claustro de São Francisco.

 

  1. Ao contrário do senso comum, não se trata apenas do exercício de uma preferência. Trata-se também do exercício de uma não preferência. Opta-se por um caminho ao mesmo tempo em que abandonamos todos os demais.

 

 

 

  1. Decisão é inclusão e exclusão ao mesmo tempo. Movimento. Do contrário, temos paralisia.

 

  1. Um neurocirurgião tem que agir. Não se paralisar. No momento exato, é preciso antecipar as consequências da alterativas escolhida. E estimar as consequências das alternativas não escolhidas.

 

  1. Como é possível, por exemplo, avançar numa cirurgia de aneurisma, quando, após horas de manipulação cerebral, o obstáculo, o aneurisma, não é encontrado? Aumentando o risco de sequelas. É melhor prosseguir ou recuar?

 

  1. Assumir o risco ou se frustrar?

 

  1. Quantas vezes Paulo Niemeyer já enfrentou esse problema? Recuou um passo para marchar todos em frente? E manter a energia vital.

 

  1. Por analogia, quantas vezes João Cabral de Melo Neto teve o mesmo problema? Colocar mais uma palavra, uma estrofe, retirar outras para fazer de “Morte e Vida Severina” uma grande poesia?

 

  1. Como escolher caminhos para que um órgão não falhe ao outro? Que um fluxo não se rompa e interrompa. Sejam sincrônicos. É uma grande decisão. Vital.

 

= V =

Os cinco pressupostos das grandes decisões na vida de Paulo Niemeyer

 

=1=

Formação

 

  1. E quais os pressupostos da grande decisão? Muitos. Na sua história, ressalto cinco.

 

  1. O primeiro é a excelente formação. Nacional e internacional. Teórica e prática.

 

  1. Formou-se na Faculdade de Medicina da UFRJ. Ganhou o mundo. Viu Oropa, França e Bahia, como dizemos lá no Nordeste. Logo estagiário na Santa Casa de Misericórdia, depois médico e chefe de setor de neurologia. Estagiário, médico e chefe da Beneficência Portuguesa.

 

  1. Foi à Universidade de Londres, ao Canadá, Pittsburg. Escreveu mais de 60 artigos ou capítulos de livros. Escreveu um delicioso, educativo e cativante livro de linguagem clara: “No labirinto do cérebro”.

 

  1. Professor titular, vice-diretor e diretor da Escola Médica de Pós-Graduação da nossa PUC- Rio. Pioneirismo no conceito de residência médica como especialização.

 

  1. Formação decorrente de seu pioneirismo com pesquisas de impacto nacional e internacional. Como com o Sheba Medical Center, de Israel, com instituições da Áustria, Alemanha e Argentina na busca de uma medicina de precisão para tratar tumores cerebrais.

 

  1. Participou da implementação de técnica de edição gênica ganhadora do Prêmio Nobel de Química de 2020 para o mapeamento de genes importantes para tratamento de tumores cerebrais graves.

 

  1. Cirurgias que hoje retiram órgãos, tecidos e estruturas se transformarão, amanhã, em mero ressequenciamento genético. Mais eficiência, sem sacrifício ao paciente.

 

=2=

Serenidade

 

  1. O segundo pressuposto é a serenidade. Inclusive para dizer não. Mesmo quando inicialmente preferiu o sim.

 

  1. “Toda noite, lá em casa, antes de uma cirurgia, tenho que rever o caso. Mando trazer todos os exames. Analiso. Estudo. Testo se a decisão está correta. Defino os caminhos. Avalio a oportunidade ou não da cirurgia.”

 

  1. Muita vez, cancela. É cedo demais. Ou tem dúvidas. Paulo Niemeyer, calmamente, cede à prudência e à serenidade. Na profissão e na vida.

 

  1. Ângela Merkel, líder do mundo, costumava dizer que “há força na calma”. Serenidade é a sabedoria da calma, acrescento.

 

  1. “A única coisa que me relaxa é a leitura. Nas ‘tardes de domingo’, me deito no sofá da biblioteca e não saio mais. Fecho as portas e desapareço. Quando saio, parece que dormi três dias seguidos.”

 

=3=

Confiança

 

  1. Ao lado da formação de excelência e da serenidade, a mútua confiança entre médico e paciente é o terceiro pressuposto da grande decisão.

 

  1. Como você mesmo diz: “Entre a doença e o paciente, fico com o paciente”.

 

 

 

  1. A mútua esperança é a base da mútua confiança. Retirar a esperança do doente é desistir. Morrer por antecipação. A esperança move montanhas.

 

  1. Segundo você, “a vida do paciente pode ser salva por uma manobra arriscada, mas decisiva, que só será feita se o cirurgião sentir que tem o apoio e confiança irrestrita do paciente e de sua família.”

 

  1. Em seu gabinete, tem uma foto de Pierre Verger de um grupo de pescadores, na beira-mar, puxando uma rede do mar com vigor baiano. Todos na mesma direção. Simboliza a rede do esforço pela mútua confiança.

 

  1. Conto-lhes uma história.

 

  1. O casal foi ao consultório de Paulo para avaliação do tratamento que o marido recebera. Estava tudo bem com ele. Na despedida, a esposa chamou-lhe a atenção. Algo no seu olhar. Quis examinar. Estranho. Quase um susto. Quem

 

necessitava  de   tratamento   era   ela,   a   esposa, acompanhante, e não ele, o marido, paciente.

 

  1. Diagnóstico feito, operada, curada e passa bem. E muito bem. Em Nova Iorque.

 

66.O consultório, como lócus da confiança e esperança, é quase sempre maior do que a consulta.

 

  1. O pressuposto da escolha profissional – ser médico – é a solidariedade com a dor do outro.

 

  1. Mas existe uma espécie de paradoxo. Esta solidariedade é, muita vez, feita de solidão.

 

  1. Como a Acadêmica Fernanda Montenegro, no seu discurso de posse, nos ensinou: interpretar “é um ofício de absoluta solidão em que ‘o outro’ é fundamental”. Este outro são os demais atores da realização cênica. Mas é também, e sobretudo, o público. A solidão

 

para com o público é a solidariedade para com o público.

 

  1. Assim como, por analogia, existe a solidão do escritor, do escrever. Nélida Piñon, por exemplo, precisou ir a Portugal para encontrar a solidão do escrever. Mas voltou acompanhada de Sagres. O leitor é a companhia na solidão do escritor.

 

  1. Com microscópio, na sala de operação, o neurocirurgião é também solitário.

 

=4=

Exemplo paterno

 

  1. Além da excelência da (i) formação; (ii) da serenidade e (iii) da mútua esperança, quais os outros pressupostos da virtude de Paulo? O exemplo que teve em casa. Com seu pai.

 

  1. Conto-lhes outra história.

 

  1. A “Descompressão Neurovascular Microcirúrgica” como “Opção no Tratamento da Nevralgia Essencial do Trigêmeo” foi o tema de sua tese de doutoramento na USP. Aprovada com nota máxima. Era membro da Banca Examinadora o neurologista Fernando Pompeu.

 

  1. Coincidentemente, Dr. Pompeu tinha dores insuportáveis por causa da nevralgia. Mas hesitava em se operar. A consistência de sua tese deu-lhe segurança. Operou-se. Foi curado.

 

  1. Durante a cirurgia de Dr. Pompeu, Paulo Niemeyer, com apenas 31 anos, sentiu o peso da responsabilidade. Convidou, então, seu pai para assistir à operação.

 

  1. Na sala, com o paciente anestesiado, encontrou-se diante de situação atípica. Perguntou ao pai o que deveria fazer. Que lhe respondeu. “O paciente é seu. Faça o que acha que deve fazer.” Fez. Deu certo.

 

  1. Foi a homenagem maior de seu pai a você. Um segundo diploma.

 

 

 

 

 

  1. O problema é que, para a medicina baseada em evidências – “Só acredito no que vejo”, você diz – não se pode prescindir dos objetos palpáveis, físicos, reais, evidentes.

 

  1. Mas como ver se, em 1970, na sua Faculdade de Medicina, não havia peças suficientes? Como adquirir o saber de experiência feito, da inteligência das mãos, sem poder praticá-lo com os próprios órgãos?

 

  1. “Numas férias de verão, no final do terceiro ano, conheci um funcionário do Instituto Médico Legal que fornecia peças para o estudo de anatomia [...] não poderia ser cirurgião sem conhecer a anatomia cerebral.”

 

  1. “Aos sábados, eu subia e descia as escadas daquele prédio malcheiroso, carregando uma caixa de isopor para o transporte dos cérebros. Se me parassem para uma blitz certamente me tomariam por louco. Sentia-me como um personagem do inesquecível Henfil, o Tamanduá, que aspirava o cérebro de seus adversários pelo

 

olho. Levava os cérebros para a garagem de minha casa, onde os dissecava.”

 

  1. “Foi um verão solitário, porém proveitoso.”

 

=5=

Humanismo

 

  1. O humanismo em favor do coletivo é a quinta e não menos importante de suas virtudes.

 

  1. Por ele, a técnica, a ciência e a racionalidade estão subordinadas aos valores do empiricamente humano. Seu humanismo é amplo. Pleno de responsabilidade social.

 

  1. Humanismo solidário para com a saúde do publico, além de seus pacientes privados. Com a saúde dos brasileiros mais necessitados.

 

  1. Solidário para com o Brasil profundo. E isto é virtude que muito lhe distingue.

 

  1. Desde sua dedicação voluntaria, ainda estudante, à Santa Casa de Misericórdia e à Beneficência Portuguesa. Até hoje com Instituto do Câncer, criado pelo grande oncologista Marcos Moraes, líder pelo silêncio.

 

  1. Você responde com sua permanente campanha de saúde publica para incluir o cérebro nas áreas que mereceriam um check up anual. Afinal, como você bem pergunta: “Por que o check up tem que ser apenas do pescoço para baixo?”

 

  1. Como hipocondríaco que sou, não posso deixar passar a oportunidade. Peço logo aos meus competentes doutores Enio Duarte e Raul Cutait, que adiram a esta campanha.

 

  1. Mas atenção. Incluam a ressonância magnética apenas de meu cérebro. De minha cabeça, não.

 

  1. Contra o egoísmo social, você responde com a idealização, criação e liderança no Instituto Estadual do Cérebro, especializado em cirurgias

 

complexas para os mais necessitados. Centro de excelência de importância mundial.

 

  1. O Instituto faz mais de 1000 neurocirurgias por ano. Só atende pacientes do SUS. Faz parte do esforço da universalização, verticalização e excelência da medicina.

 

  1. Segundo você, o SUS “foi o que mais de importante se fez neste país. Nunca houve um movimento de inclusão social tão grande no mundo como o que resultou da criação do SUS”.

 

  1. E mais. Esta parceria, para você, é fonte de felicidade: “Para mim o Instituto do Cérebro parece uma Disneylandia!”

 

  1. Ocorre que vivemos tempos em que valores se invertem e instituições se desfiguram. Tempos de crescente egoísmo.

 

  1. Afronta maior ocorreu ainda há pouco. Foi o veto presidencial ao altruísmo social praticado e simbolizado pela médica psiquiatra

 

Drª. Nise da Silveira, aclamada pelo Congresso Nacional, para ser inscrita no Livro de Heróis e Heroínas do Panteão da Pátria. Revolucionou o tratamento terapêutico na psiquiatria. Revelou virtuosos artistas, cuja vocação se liberou com sua inovação.

 

  1. O acervo do Museu do Inconsciente é tombado como Patrimônio Nacional pelo IPHAN. Os arquivos de Nise da Silveira foram incorporados ao Programa Memória do Mundo da UNESCO.

 

  1. Nossos grandes médicos, especialmente após seu heroísmo pós-pandemia, não merecem vetos arbitrários. Ela será, como propõe Nélida Piñon, heroína e patrimônio nosso. É o suficiente.

 

  1. Saúde, cultura, ciência e educação não devem estar a mercê do discurso antidemocrático e irrefletido dos cortes do déficit público. Que minguam nossos orçamentos e desvalorizam nossos profissionais.

 

  1. Dizem que somos indispensáveis ao desenvolvimento econômico. Mas agem como se fôssemos desperdício.

 

  1. Saúde, cultura, ciência e educação não são desperdícios orçamentários, não.

 

  1. Não se trata de ser contra ou a favor do controle fiscal. Trata-se de escolher com base em que urgências, valores e fins se corta esta ou aquela despesa.

 

  1. A decisão é sobre a qualidade democrática da alocação de escassos recursos.

 

  1. É infraestrutura do Estado democrático de direito que aqui está em jogo. Da liberdade e da igualdade.

 

  1. Cacá Diegues, na excelente série sobre Nara Leão, nos lembrou que os ideais do Cinema Novo eram apenas três: mudar o cinema, mudar o Brasil e mudar o mundo. Estamos indo em direção contrária a esta saudável ambição.

 

 

 

 

 

  1. Estamos sem projeto democrático, minimamente solidário do Brasil para com o Brasil. Um Brasil a longo prazo.

 

  1. É na luz do humanismo de Dr. Paulo Niemeyer, dos heróis profissionais da saúde, aqui presentes, e de todos que trabalham a favor de uma visão de Brasil onde mora a esperança da guia por dias melhores.

 

= VI =

Encerramento

 

  1. Encerro, Dr. Paulo.

 

  1. As virtudes de seu cérebro são: (i) a sólida formação, (ii) a serenidade, (iii) a esperança de mãos dadas com o paciente, (iv) o bom exemplo profissional e (v) o humanismo a favor do Brasil dos mais necessitados.

 

  1. São virtudes caras a esta nossa comunidade também. Presentes em nossos rituais. Nesta Casa.

 

  1. Infelizmente, senhores e senhoras, não posso mais prosseguir. Encontrei um obstáculo. Previsível, mas difícil de ultrapassar. Não posso ir mais adiante.

 

  1. Tenho que terminar. Estou diante de uma só via de acesso ao funcionamento do cérebro de Dr. Paulo Niemeyer Soares Filho. Esta via está ocupada. Bloqueada. Interditada.

 

  1. Tem dona de corpo e alma. Chama-se Maria Isabel Feijó Bittencourt Niemeyer. Bebel. Um rio que passou em sua vida e seu coração se deixou levar.

 

  1. Vocês dois, ao se encontrarem, se fizeram espelhos. Em looping permanente. Juntos com Paulinho, Bel, Maria, Bebelzinha, Patrícia e Rafael.

 

  1. Sejam todos bem-vindos.

 

 

 

 

 

 

 

  1. És agora imortal no sentido de Rosiska Darcy de Oliveira: imortal é o desejo de ser e fazer feliz. Como Gonzaguinha cantou: “viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

 

  1. Como feliz é este ritual de boas-vindas ao

Acadêmico Paulo Niemeyer Soares Filho.

 

  1. Muito obrigado.