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Discurso de Posse na Presidência da ABL (2012)

Em nome de meus companheiros de diretoria, venho agradecer a todos os confrades a confiança em nós depositada com esta recondução coletiva para o exercício de um segundo mandato, em que hoje tomamos posse. Somos sensíveis à honra que tal decisão representa e também à responsabilidade que esse fato coloca sobre nossos ombros. Ao sermos investidos em nossos cargos no ano passado, em cerimônia análoga a esta, assumi um compromisso em nome dos outros eleitos: o de que a diretoria procuraria ser criteriosa em suas decisões e por esse fato deveria ser cobrada. A reeleição unânime agora nos deixa tranquilos quanto ao resultado dessa cobrança, nos trazendo a garantia de que fomos compreendidos e aprovados em nossas decisões, o que muito nos alegra, por trazer, em dose dupla, algumas das boas sensações que alguém pode ter na vida social: a do dever cumprido e a do reconhecimento dos pares. Por esse apoio, só nos resta agradecer a todos e prometer continuar na mesma linha.

Este ano de 2012 foi mais um período de intensas realizações na Academia Brasileira de Letras. Dominado pelas comemorações do centenário de nascimento de Jorge Amado, ocupante da cadeira número 23, foi fiel ao exemplo do romancista baiano: as atividades acadêmicas ao mesmo tempo mergulharam fundo nas matrizes populares de nossa sociedade e se abriram ao cosmopolitismo e ao diálogo com o mundo. Deitados no berço esplêndido de uma forte imagem pública construída nas gestões anteriores, pudemos nos dar um luxo raro graças a essa herança. Intencionalmente discretos no que se referiu à visibilidade midiática, buscamos evitar as armadilhas dos pseudoeventos, já apontadas por Daniel Boorstin na década de 1960 e estudadas por Edgard Morin na de 1970 e que resultariam no que mais recentemente Jean François Lyotard analisou como sociedade do espetáculo e Jean Baudrillard examinou como simulacro. Em tempos de invasão e evasão de privacidade, tentamos nos aproximar mais das lições do chamado Brasil profundo, da velha sabedoria mineira de trabalhar em silêncio. Mas agora, ao fazer um balanço da gestão, é hora de registrar que trabalhamos muito, e de forma que consideramos consistente, em direção às metas que elegemos como adequadas.

Com esse objetivo, demos ênfase a um esforço de apoio à leitura e a um ambiente favorável à escrita e à literatura nas UPPs - as comunidades recém pacificadas do Rio. Em paralelo, acentuamos uma linha de parcerias internacionais com instituições estrangeiras, sobretudo universidades, buscando estimular o estudo de escritores brasileiros no exterior e incentivar a constituição de uma fortuna crítica sobre eles, com a publicação de análises sobre seus textos. Desse modo, em paralelo às exposições e conferências realizadas em instituições de variados países, fomentamos também a produção de artigos sobre as obras de nossos autores, de autoria de especialistas portugueses, espanhois, latinoamericanos, britânicos, franceses, norteamericanos, italianos, entre outros.

Nem por isso descuidamos de nossas atividades já tradicionais, abertas a um público numeroso e fiel - conferências, mesas-redondas, seminários, exposições, concertos, shows, exibição de filmes, visitas guiadas e outras - como se ouviu no relatório lido pelo secretário-geral e que será distribuído a seguir.

Esta diretoria também procurou se dedicar ao que nos parece essencial entre as atividades da casa - o idioma e a memória. Por um lado, a defesa da língua, em que mais uma vez o trabalho do setor de Lexicologia e Lexicografia foi discreto porém incansável, com dados numéricos impressionantes no aumento do número de consultas ao serviço de utilidade pública A ABL RESPONDE.

Por outro lado, na preservação da memória, ficamos contentes em relatar que as Bibliotecas estão vivas e atendendo a números crescentes de consulentes. E que assinamos convênios de digitalização e recuperação de originais raros, com a FBN - aliás, a partir deste ano, essas obras raras ganharam um espaço especial, com procedimentos de segurança mais adequados à sua proteção.

Ainda no mesmo âmbito, da guarda e proteção a documentos, estamos iniciando uma grande reforma no Arquivo, que o manterá fechado durante alguns meses, mas depois dará aos profissionais melhores condições de pesquisa, ocupando todo um andar no Palácio Austregésilo de Athayde.

Graças ao apoio dos acadêmicos, e à colaboração dos funcionários desta Casa de Machado de Assis, a Diretoria se alegra em afirmar: procuramos não desmerecer o exemplo dos que nos precederam, solo onde fincamos as raizes que nos sustentam e alimentam. Mas não perdemos de vista o país concreto com que sonhamos, construção quotidiana, lenta e contínua, a cuja altura desejamos nos elevar com as asas do nosso esforço conjunto.

Muito obrigada a todos. (Está encerrada a sessão).

Ana Maria Machado 
13/12/2012

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