
O animal teimoso
[2]A recente tragédia na Ásia causou um impacto mundial e, ao mesmo tempo, uma surpresa. O trauma foi terrível e atingiu a todos nós, que mais uma vez ficamos conscientes da fragilidade do nosso mundo e de nossas vidas.
A recente tragédia na Ásia causou um impacto mundial e, ao mesmo tempo, uma surpresa. O trauma foi terrível e atingiu a todos nós, que mais uma vez ficamos conscientes da fragilidade do nosso mundo e de nossas vidas.
Noticiou o Diário do Comércio que Marta Suplicy deixa uma dívida de mais de l bilhão de reais, ferindo, com essa divisa, a Lei de Responsabilidade Fiscal. É grave, portanto, a situação da ex-prefeita, que estava certa, no exercício do cargo, primeiro que venceria a eleição para outro mandato e, segundo, que estava acima de legislação como a Lei de Responsabilidade Fiscal, que não deve pegar somente os pequenos, prefeitos de cidades sem o peso da capital paulista.
Entre as frases do ano que passou, os resenhistas destacaram uma confissão de Lula: "Não somos tão ruins quanto alguns nos acusam nem tão bons como pensamos que somos" (a frase exata pode não ser essa, mas o sentido é esse mesmo). Boa frase, mas que pode se aplicar não apenas ao governo atual mas a todos os governos passados e futuros. Mais: em escala individual, pode se aplicar a cada um de nós, que nunca somos tão ruins como os outros pensam nem tão bons como julgamos de nós mesmos.
Estamos em época de festas. Milhares de compradores invadiram as lojas, principalmente nos shopping centers e na rua 25 de Março, para trocar presentes com os amigos e os darem a crianças, que ainda acreditam em Papai Noel e põem o sapato atrás da porta, como também eu fiz na minha infância já longínqua. Não há, que me conste, um só brasileiro que não esteja em estado de otimismo sobre o Brasil e seu futuro, ao menos por alguns meses de 2005. É a época.
O lugar-comum e a má informação generalizada colaram em cada ano que se inicia o adjetivo "próspero". Desejam a todos nós e nós desejamos a todos um próspero Ano Novo. Não nos custa nada formular este voto, e nada custa aos outros que nos desejam a mesma prosperidade.
- Bem já falavam os antigos, o que passa devagar é o dia, o ano passa depressa. Num instante, hein, cara, lá se foi essa desgraça, já foi tarde.
ÀS VEZES O GUERREIRO DA LUZ TEM A impressão de viver duas vidas ao mesmo tempo. Em uma delas, é obrigado a fazer tudo que não quer, lutar por idéias nas quais não acredita. Mas existe uma outra vida e ele a descobre em seus sonhos, leituras, encontros com gente que pensa como ele.
O ano terminou bem, como se espera das coisas que acabam. Respeito os mortos e feridos pela onda que surgiu das profundezas e devastou ilhas e terras. Se dependesse de mim, não teria havido a tragédia, a do tsunami e as outras que andaram por aí e seguramente vão andar no próximo ano.
É sempre o mistério do tempo. Ao ano velho todos ridicularizam. As atenções são concentradas no ano que vem, a adulá-lo com mensagens e gestos que pedem que seja bom e generoso. A justiça nos manda em primeiro lugar agradecer que o ano velho nos tenha preservado a graça da vida. Viver, diziam os latinos, depois a gente confere o resto. E a cada ano que passa, vivemos.
Há ingênuos de carteirinha que jogam sobre os ombros do Estado todos os seus sonhos de realização. Isso é coisa para o Governo, aquilo só sai se o Governo der dinheiro, vamos aguardar que o Governo se manifeste - e a vida não é bem assim. Como se afirma em nossa Constituição, as iniciativas pública e particular devem se dar as mãos, para que cada uma cumpra a sua parte, no desejo comum de tirar o País da miséria e do atraso. Potencial temos de sobra.
Dentre as transformações que marcaram o século passado, um dos mais fortes e mais influentes foi o que abalou a estrutura social da família. Logo no início da década de 30 os costumes entraram em fase de deterioração, mas sem a celeridade que enfrentamos, ou conhecemos, ou deles simplesmente tomamos conhecimento. Mas a realidade não poderia ser escondida atrás de sofismas como o de que somos tomados pelas mudanças e não temos como resistir a elas.
É difícil se encontrar passagem de ano onde os jogos de uma realpolitik fechem de maneira tão clara o futuro lá fora. A ida de Rumsfeld a Bagdá, o aperto de mão, duro, os mesmos semblantes baços, os mesmos ritos, marcam a percussão do mesmo, transposto já ao simulacro. Repete-se o rito pelo secretário da Defesa, após o presidente, o ano passado, como se se baixasse à instância das rotinas, sem ilusões de mudança. Nenhum afrouxamento do petrecho militar no Oriente Médio. Nem alteração do projeto da redemocratização com maiorias sintéticas, por mais que somem os atentados, e se amplie o pessimismo das Nações Unidas quanto à legalização formal do regime, como relevante para a paz efetiva no Iraque. Claro, aí está, quase como mecanismo automático, o do gesto de congraçamento após o 20 de janeiro, que levará Bush a Bruxelas, e às alvíssaras de conversa com a outra ponta do Primeiro Mundo. A queda pertinaz do dólar está muito longe de apresentar, ainda, qualquer risco estrutural da boa entente econômico-financeira dos dois lados do Atlântico.
Circula no Congresso para discussão e aprovação um projeto do governo que cria o CFJ, Conselho Federal do Jornalismo, e está em debate para ser também encaminhada ao Legislativo uma proposta do MinC de criação da Ancinav - Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual. Como indicam os nomes, o primeiro busca regular a atividade jornalística; a segunda, o cinema e as atividades audiovisuais. Muitos dos dispositivos das duas medidas, sobretudo do projeto, soam familiares a quem está, por dever profissional, atento à história nacional.
A instalação da Cadeira Celso Furtado em Paris, em cooperação entre o Fórum de Reitores do Rio de Janeiro e o Collège de France, permitiu um amplo debate sobre a presente visão no exterior do governo petista, em meio de mandato. Difícil perspectiva mais rica, do que a do cenário da Sorbonne, envolvendo esta massa de estudantes e pesquisadores de todo o mundo, debruçado sobre o que representa - nas antigas periferias - o crescimento do recado de Lula. Não se trata apenas do reconhecimento inédito deste governo que, entrando no seu segundo tempo, mantém essa popularidade inédita de 68% de apoio, e ainda em expansão. Nem da certeza real com que está plantado o chão de estabilidade, para que se adense a proposta, vencido o radicalismo utópico, tanto a alternativa ao mundo neoliberal envolve uma prática, de toda hora para que vingue, sem retórica, e a duras penas, uma esquerda em processo.
Nada teria com o sr. Eduardo Matarazzo Suplicy e sua ex-esposa Marta Suplicy não fossem ambos figuras públicas, ambos políticos, sobretudo ela, que tem mais disposição para essa atividade não raro subalterna que é a política. Mas, os indícios surgem, primeiro como demonstração que a esposa não amava o marido, pois o deixou, deixando o lar, com os três filhos e, depois, casou-se pela segunda vez, com um franco argentino cuja origem é pouco conhecida.
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