Nascido em 9 de outubro de 1853, em Campos dos Goytacazes (RJ), Patrocínio foi jornalista, orador, poeta, romancista, ativista e um dos protagonistas do movimento abolicionista no Brasil. Filho de uma mulher escravizada e de um padre, ele viveu desde a infância a realidade brutal da escravidão, experiência que moldou sua vocação abolicionista e política ao longo de toda sua vida.
Como jovem jornalista, Patrocínio usou a imprensa como seu principal instrumento de ação. Trabalhou em jornais como a Gazeta de Notícias e fundou o periódico A Cidade do Rio, que se tornou uma tribuna influente da causa abolicionista e republicana no final do século XIX.
Ele foi uma das principais lideranças da Confederação Abolicionista, associação que, junto com nomes como Joaquim Nabuco e André Rebouças, articulou campanhas, eventos e discursos que ampliaram a pressão pela libertação dos escravizados — pressão que culminou na assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Além de romper com as estruturas escravocratas, Patrocínio também participou ativamente do debate político da época, tendo sido eleito vereador no Rio de Janeiro e se afirmado como uma voz importante na transição do Brasil Imperial para a República. Sua atuação influenciou os rumos políticos do país, aproximando segmentos populares e elites intelectuais em torno de um projeto de sociedade mais livre e igualitária.
Patrocínio também deixou contribuições significativas para a literatura brasileira, com romances como Os retirantes e Pedro Espanhol, e ocupou a cadeira nº 21 da Academia Brasileira de Letras, da qual foi um dos fundadores.
No entanto, sua trajetória também foi marcada por contradições e resistências: embora tenha apoiado a monarquia em determinados momentos em prol da abolição, ele acabou se vinculando ao movimento republicano, foi alvo de perseguições políticas e viveu períodos de ostracismo nas décadas após a Proclamação da República.
Patrocínio faleceu no Rio de Janeiro aos 51 anos de idade, em 29 de janeiro de 1905, ainda ativo no jornalismo e na defesa de causas sociais, deixando um legado que ecoa até hoje como referência de luta, consciência política e afirmação da cultura negra no Brasil.
Matéria na íntegra: https://revistaraca.com.br/jose-do-patrocinio-legado-121-anos/
04/02/2026