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cronofarmacologia

Classe gramatical: 
s.f.
Palavras relacionadas: 

cronofarmacológico adj. (orientações cronofarmacológicas)

Definição: 

Ciência que estuda o horário mais adequado para administração dos medicamentos, conforme o ritmo biológico dos indivíduos e a manifestação específica da patologia, a fim de potencializar a eficiência terapêutica e minimizar a toxicidade e os efeitos colaterais da medicação.

Exemplos de uso: 

“A cronofarmacologia procura investigar as variações previsíveis na ação e no efeito dos medicamentos em função da hora da administração numa escala de 24 h, haja vista que a maioria das funções biológicas transparece nítida ritmicidade, seja circadiana (sono, pico de ACTH), seja ultradiana (frequência cardíaca, micção) ou mesmo infradiana, como a menstruação e a reprodução da mulher.”1

“Há doenças e sintomas que parecem marcar hora para aparecer. E, para tratá-los, também é preciso seguir o relógio, segundo a cronofarmacologia, ‘ramo da ciência que estuda como doenças e tratamentos são influenciados pelos ritmos biológicos’. Nos últimos 20 anos, a cronofarmacologia mudou a prescrição de alguns remédios, diz o neurologista John Fontenele Araujo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. ‘A asma é o exemplo mais clássico. Sabemos hoje que as piores crises são à noite, e que o paciente deve se medicar antes de dormir.’”2

“‘O objetivo da cronofarmacologia é melhorar a eficácia e a segurança dos remédios, por ajustar sua concentração, durante as 24 horas do dia, em sincronia com os ritmos biológicos dos seres vivos’, explica Jaldo de Souza Santos, presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF). ‘Nos seres vivos, os ritmos biológicos são resultado direto dos fenômenos ambientais periódicos e recorrentes, como as estações do ano, as fases da lua, as oscilações das marés e, principalmente, o ciclo dia/noite’, acrescenta Amouni Mohmoud Mourad, do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP). ‘Esses ritmos influenciam todas as funções do nosso organismo, sejam elas fisiológicas, bioquímicas ou psíquicas’, completa Mourad.”3

“Segundo os médicos que se dedicam ao estudo da cronofarmacologia no Brasil, os melhores exemplos de sua aplicação clínica podem ser dados pelos casos de asma e infarto. Autor do livro Medicina da noite: da cronobiologia à prática clínica, o pneumologista José Manoel Jansen da Silva é um dos adeptos da prática. Segundo ele, as crises de asma são mais frequentes de madrugada, por volta das 4 h. Tudo por causa da queda na produção de cortisol, hormônio que tem efeito analgésico no organismo. Com isso, o calibre dos brônquios pulmonares, por onde passa o oxigênio, tende a diminuir, o que dificulta a respiração nos portadores da doença. ‘Se a crise de asma tende a piorar às 4 h e um remédio leva em torno de oito horas para fazer efeito, o correto é receitá-lo às 20 h’, explica o pneumologista.”4

“Nos últimos 20 anos, a cronofarmacologia mudou a prescrição de alguns remédios, diz o neurologista John Fontenele Araujo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. ‘A asma é o exemplo mais clássico. Sabemos hoje que as piores crises são à noite, e que o paciente deve se medicar antes de dormir.’
Há outros remédios que já são prescritos levando em conta o relógio biológico, como as drogas anticolesterol (usadas mais à noite) e remédios para artrite e artrose, que também devem ser tomados antes de dormir.”5

“Segundo Regina Pekelmann Markus, biomédica e coordenadora do laboratório de cronofarmacologia da USP, o artigo confirma uma tendência. ‘Na Espanha, há médicos que já mudaram a prescrição de remédios de hipertensão. A mudança é para proteger o paciente no pico de pressão pela manhã.’ De acordo com o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o estudo mostra a importância do controle da pressão durante a noite, mas, no caso de drogas com ação de 24 horas, não é preciso mudar a prescrição.”6

“A cronofarmacologia estuda a influência da hora do dia e dos ritmos biológicos sobre qualquer coisa que seja exógena, ou seja, externa ao corpo. Isso inclui medicamentos e substâncias tóxicas. A professora Regina [Pekelmann Markus, titular do Departamento de Fisiologia da USP] explica que cada doença tem um ritmo próprio que pode interferir na eficiência de medicamentos. Ao se ajustar os dois relógios, o da ação farmacológica e o do comportamento metabólico da doença, não apenas se obtém mais eficiência terapêutica como – e esse é um dos principais objetivos das atuais pesquisas cronofarmacológicas – se pode minimizar a toxicidade e os efeitos colaterais, reduzindo as doses caso seja adotado o horário apropriado.”7

Referências: 

CHRONOPHARMACOLOGY. In: THE FREE DICTIONARY. Disponível em: https://medical-dictionary.thefreedictionary.com/chronopharmacology. Acesso em: 25 jun. 2023.

1 VALE, Nilton Bezerra do; MENEZES, Alexandre Lara; CAPRIGLIONE, Márcio. Cronofarmacologia e Anestesiologia. InRevista Brasileira de Anestesiologia, v. 40, n. 1, jan.-fev., 1990. Disponível em: https://www.bjan-sba.org/article/5e498b800aec5119028b4682/pdf/rba-40-1-2.... Acesso em: 21 jun. 2023.

2 VINES, Juliana. Hora do remédio. Folha de S.Paulo, 12 maio 2011. Saúde. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1205201101.htm. Acesso em: 29 jun. 2023.

3 ASSESSORIA DE IMPRENSA. Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro. Relatório – setembro 2013. Disponível em: http://crf-rj.org.br/arquivos/indicadores/201309_AI.pdf. Acesso em: 21 jun. 2023.

4 Idemibidem.

5 ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PSIQUIATRIA. Hora do remédio. APPSIQ, 12 maio 2011. Disponível em: https://www.psiquiatria-pr.org.br/news-appsiq_det.php?blog=4953. Acesso em: 21 jun. 2023.

6 Idemibidem.

7 ABCFARMA. REMÉDIOS. A hora certa de tomar. E como tomar. InRevista ABCFARMA, Especial Sênior, set. 2017, p. 6-12. Disponível em: https://issuu.com/abcfarmaoficial/docs/revista-abcfarma-313. Acesso em: 25 jun. 2023.

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