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Salve-se o Mercosul

 

Os presidentes José Sarney, pelo Brasil, e Raúl Alfonsín, pela Argentina, deram vigoroso impulso ao Mercosul. Na fase cálida das duas presidências, o Mercosul deu a impressão de que iria constituir-se numa réplica do Mercado Comum Europeu, que resultou na União Européia. Não se cogitava e não se supunha as singularidades da política latino-americana. Mas o Mercosul foi poupado até agora e continuará sendo, assim esperamos, para se solidificar num organismo capaz de impor uma efetiva União, com um número de países-membros ainda maior.


Neste momento, a Argentina é quem freia o fortalecimento do Mercosul. Apegada a uma forma extemporânea de mercantilismo, em Buenos Aires denominado "protecionismo", está abrindo brechas no processo com decisões de política internacional suscetíveis de retardar o advento definitivo do Mercosul como etapa da União Latino-Americana.


Como se sabe, o mercado comum não surgiu com o Acordo de Roma, assinado pelas seis nações patrocinadoras deste organismo. Antes dela, Bismarck, o chanceler de ferro, havia unido as Alemanhas num Zolverein , que foi a salvação do Império da Prússia. A obra criadora do mercado comum foi estuar na extraordinária União Européia, que caminha para crescer ainda mais.


Os EUA defendem a criação da Alca. Enquanto isso, vemos o Mercosul manquetear como que desfalecido, sem vigor para se erguer como uma instituição fundada para durar, na união de todo o continente latino-americano.


O que se deseja é a salvação do Mercosul e a sua colocação numa perspectiva de União, para amparar e forcejar o desenvolvimento das Nações Unidas num grande organismo econômico. É o que se espera dos chefes de Estado do continente, uma vez passada a crise política que atormenta várias nações latino-americanas.




Diário do Comércio (São Paulo) 22/11/2005

Diário do Comércio (São Paulo), 22/11/2005