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O duplo sinal no mercado de trabalho: o menor desemprego da história e indícios de queda da oferta de vagas

 

Os dados do Caged, divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, indicam que o ano não foi tão forte quando vistos pela criação de vagas formais. Há duas formas principais de observar o emprego: a Pnad e o Caged, que registra trabalhadores com carteira assinada. Em dezembro houve fechamento de 618 mil vagas, pelo Caged. Ao longo do ano, foram criados 1,3 milhão de empregos, número menor do que o de outros períodos. O que explica esse desencontro? São termômetros diferentes.

No dado geral, o mercado de trabalho está extraordinariamente forte para um ambiente de juros de 15% ao ano, e os economistas tentam entender a natureza desse fenômeno, como o emprego se mantém tão resiliente diante de uma política monetária tão restritiva.

Já o Caged mostra desaceleração, com redução do ritmo de criação de vagas de carteira assinada. O estoque ainda traz boas notícias, mas o fluxo indica perda de fôlego, o que é uma resposta natural à política do Banco Central. Ainda assim, chama atenção o fato de o mercado de trabalho ter resistido e melhorado indicadores, com o da renda, mesmo num período de desaceleração da economia, provocada pela alta dos juros para combater a inflação.

No quadro geral, a Pnad Contínua do IBGE mostra um mercado de trabalho ainda forte. É preciso observar os próximos meses, porque a sazonalidade costuma elevar a taxa no início do ano, com o fim de contratos temporários. Será necessário acompanhar o tamanho dessa oscilação.

O Globo, 30/01/2026