Início > Noticias > Poeta Geraldo Carneiro toma posse na Cadeira 24 da ABL na sexta-feira, dia 31 de março, às 21 horas, na sucessão do Acadêmico Sábato Magaldi

Poeta, tradutor, letrista e roteirista mineiro Geraldo Carneiro toma posse na cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras

O poeta, tradutor, letrista e roteirista mineiro Geraldo Carneiro tomou posse na Cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras, nesta sexta-feira, dia 31 de março, em solenidade no Salão Nobre do Petit Trianon. O novo Acadêmico foi eleito no dia 27 de outubro do ano passado, na sucessão do Acadêmico, crítico teatral, teatrólogo, jornalista, professor, ensaísta e historiador Sábato Magaldi, falecido no dia 15 de julho de 2016, em São Paulo.

Em nome da ABL, o Acadêmico e poeta Antonio Carlos Secchin fez o discurso de recepção. Antes, Geraldo Carneiro discursou na tribuna. Logo após, o Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício Proença Filho, convidou a Acadêmica Nélida Piñon, Secretária-Geral, para fazer a aposição do colar, o Acadêmico Eduardo Portella (segundo a tradição, o decano presente), para entregar a espada, e o Acadêmico Candido Mendes de Almeida, o diploma. O Presidente, então, declarou empossado o novo Acadêmico.

Os ocupantes anteriores da cadeira foram: Garcia Redondo (fundador), que escolheu como patrono Júlio Ribeiro, Luís Guimarães Filho, Manuel Bandeira e Cyro dos Anjos.

Geraldo Carneiro, em seu discurso de posse, discorreu sobre seu antecessor, o crítico de teatro Sábato Magaldi. Intitulou-o de “O Elogio da vida”, e definiu como tema central o livro Panorama do teatro brasileiro, “no qual Magaldi avalia historicamente os autores teatrais, desde José de Anchieta até Nelson Rodrigues, passando pelas aventuras dramatúrgicas dos principais nomes da cultura brasileira, como José de Alencar e Machado de Assis”. Relembrou alguns de seus predecessores, sobretudo Manuel Bandeira. Segundo disse, “foi uma celebração do Brasil, desde seus primeiros passos até os dias de hoje”.

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Geraldo Eduardo Ribeiro Carneiro, em arte Geraldo Carneiro, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 11 de junho de 1952.

Poeta, é autor dos livros Na busca do Sete-Estrelo, Verão Vagabundo, Piquenique em Xanadu (prêmio Lei Sarney de melhor livro de poesia do ano), Pandemônio, Folias metafísica, Por mares nunca dantes, Lira dos cinquent’anos e Balada do impostor.

Com Carlito Azevedo lançou Sonhos da insônia, tradução de sonetos de William Shakespeare. Publicou em prosa Vinícius de Moraes: a fala da paixão" e Leblon: a crônica dos anos loucos. Em 2010, publicou seus Poemas Reunido, em coedição da Biblioteca Nacional com a Nova Fronteira. Em 2013, a antologia Subúrbios da Galáxia, pela Nova Fronteira.

Também é letrista e roteirista de televisão, teatro e cinema. Em 1972, iniciou com o músico Egberto Gismonti uma parceria que durou 12 anos e rendeu mais de 60 músicas. Produziu, ainda, discos de Gismonti, como “Água e vinho”, lançado em 1972. Ao longo da carreira, foi parceiro de muitos outros músicos, como o argentino Astor Piazzolla e os brasileiros Wagner Tiso e Francis Hime.

Na televisão, Geraldo Carneiro estreou em 1983, como colaborador do escritor Bráulio Pedroso na minissérie “Parabéns pra você”, exibida pela TV Globo. Em 1985, começou a trabalhar na TV Manchete, onde escreveu diversas minisséries e especiais. Voltou à Globo em 1989 e escreveu roteiros de especiais, seriados e novelas. Dividiu com Walther Negrão a autoria da minissérie “O sorriso do lagarto”, adaptada do livro do Acadêmico João Ubaldo Ribeiro e dirigida por Roberto Talma, em 1991. No ano seguinte, escreveu o roteiro de “Elas por ela”, musical estrelado por Marília Pêra. Em 1992, foi responsável pelos roteiros dos primeiros episódios da série “Você Decide”, da qual se tornou supervisor de texto, com pequenas interrupções, até 2000.

De 1993 a 1995, Geraldo Carneiro foi um dos roteiristas do programa “Terça Nobre” e, mais tarde, do “Brasil Especial”, faixa de programação em que eram apresentadas adaptações de obras literárias brasileiras. Entre outras Lucíola (1993), baseado no romance de José de Alencar; Lúcia McCartney (1993), adaptação do conto de Rubem Fonseca, e A desinibida do Grajaú (1994), do original de Sérgio Porto.

Com João Ubaldo Ribeiro, assinou “O santo que não acreditava em Deus” (1993), “O poder da arte da palavra” (1994) e “A maldita” (1995), adaptações de contos do escritor; e “O compadre de Ogum” (1994), baseado em conto de Jorge Amado.

No teatro, estreou com o musical “Lola Moreno”, escrito em parceria com Bráulio Pedroso, em 1979. Entre outras peças, escreveu “Folias do coração”, “Apenas bons amigos” (em parceria com Miguel Falabella), “A bandeira dos cinco mil réis”, “Imaginária” e “Manu Çaruê”.

Traduziu mais de vinte peças, entre as quais “A tempestade” (The tempest), “Uma peça como você gosta” (As you like it), “Romeu e Julieta”, “Trabalhos de Amor Perdidos”, “Antônio e Cleópatra”, todas de William Shakespeare.

No cinema, assinou os roteiros dos filmes “Eternamente Pagu” (1987), de Norma Bengell, escrito com Márcia de Almeida, e “O judeu” (1996), escrito com Millôr Fernandes, Gilvan Pereira e o diretor do filme, Jom Tob Azulay.

Em 2012, recebeu o prêmio Emmy Internacional, pela adaptação de "O astro", escrita no ano anterior, em parceria com Alcides Nogueira. Em 2013, publicou “O discurso do amor rasgado”, traduções de poemas, fragmentos e cenas de Shakespeare, organizado em parceria com Ana Paula Pedro. Em 2014, escreveu, para Juca de Oliveira, uma adaptação para solo do "Rei Lear", de Shakespeare. Nesse mesmo ano, 27 de seus poemas são traduzidos para o inglês por Charles Perrone e publicados pela Machado de Assis Magazine, da Biblioteca Nacional.

24/03/2017

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