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ABL elege o poeta e compositor Geraldo Carneiro para a cadeira 24, na sucessão do teatrólogo Sábato Magaldi

A Academia Brasileira de Letras elegeu, quinta-feira, dia 27 de outubro, o novo ocupante da Cadeira 24, na sucessão do crítico teatral, teatrólogo, jornalista, professor, ensaísta e historiador Sábato Magaldi, falecido no dia 14 de julho deste ano. O vencedor foi o poeta, tradutor, letrista e roteirista mineiro Geraldo Carneiro, que obteve 33 votos. Votaram 21 Acadêmicos presentes e 13 por cartas. Os ocupantes anteriores da cadeira foram: Garcia Redondo (fundador) – que escolheu como patrono Júlio Ribeiro –, Luís Guimarães Filho, Manuel Bandeira e Cyro dos Anjos.

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Geraldo Eduardo Ribeiro Carneiro nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 11 de junho de 1952. Poeta, letrista e roteirista de televisão, teatro e cinema, começou a manifestar interesse pela arte ainda jovem, influenciado pelos muitos escritores e músicos que frequentavam a casa dos seus pais – entre eles, Paulo Mendes Campos, Jacob do Bandolim e Tom Jobim.

Em 1968, iniciou com o músico mineiro Egberto Gismonti uma parceria que durou 12 anos e rendeu mais de 60 músicas. Também produziu o primeiro disco de Gismonti, Água e vinho, lançado em 1972. Ao longo da carreira, foi parceiro de vários outros músicos, como o argentino Astor Piazolla e os brasileiros Tom Jobim, Wagner Tiso e Francis Hime.

Na televisão, Geraldo Carneiro estreou em 1976, como colaborador do escritor Bráulio Pedroso na minissérie Parabéns pra você, dirigida por Roberto Talma e exibida pela Globo.

Três anos depois, em 1985, começou a trabalhar na TV Manchete. Voltou à Globo em 1989, onde escreveu roteiros de especiais, seriados e novelas. Dividiu com Walther Negrão a autoria da minissérie O sorriso do lagarto, adaptada do livro de João Ubaldo Ribeiro e dirigida por Roberto Talma, em 1991. No ano seguinte, escreveu o roteiro de Elas por ela, musical estrelado por Marília Pêra, com direção de Roberto Talma e direção musical de Gonzaguinha.

De 1993 a 1995, Geraldo Carneiro foi um dos roteiristas do Terça Nobre e Brasil Especial, faixa de programação em que eram apresentadas adaptações de obras literárias brasileiras. Entre outros episódios, escreveu Lucíola (1993), baseado no romance de José de Alencar; Lúcia McCartney (1993), adaptação do conto de Rubem Fonseca, e A desinibida do Grajaú (1994), do original de Sérgio Porto.

Com João Ubaldo Ribeiro, assinou O santo que não acreditava em Deus (1993), O poder da arte da palavra (1994) e A maldita (1995), adaptações de contos do escritor; e O compadre de Ogum (1994), baseado em conto de Jorge Amado

No teatro, estreou com o musical Lola Moreno, escrito em parceria com Bráulio Pedroso, em 1979. Escreveu entre outras peças Folias do coração, Apenas bons amigos (ambas com Miguel Falabella), A bandeira dos cinco mil réis e Manu Çaruê. Também assinou as traduções de mais de uma dezena de peças, como A tempestade (The tempest) e Uma peça como você gosta (As you like it), de Shakespeare, entre outras.

No cinema, assinou os roteiros dos filmes Eternamente Pagu (1987), de Norma Bengell, e O judeu (1996), escrito com Millôr Fernandes, Gilvan Pereira e o diretor do filme, Jom Tob Azulay.

É autor dos livros de poesia Em busca do Sete-Estrelo, Verão  vagabundo, Piquenique em Xanadu (prêmio Lei Sarney de melhor livro do ano), Pandemônio, Folias metafísicas, Por mares nunca dantes, Lira dos cinquent’anos e Balada do impostor. Com Carlito Azevedo, lançou Sonhos da insônia, com a tradução de sonetos de William Shakespeare. Também publicou, em prosa, os livros Vinícius de Moraes: a fala da paixão e Leblon: a crônica dos anos loucos.

Em 2011, recebeu o prêmio Emmy Internacional, pela adaptação de O astro, escrita no ano anterior, em parceria com Alcides Nogueira. Dois anos depois, em 2013, publica O discurso do amor rasgado, traduções de poemas, fragmentos e cenas de Shakespeare, organizado em parceria com Ana Paula Pedro. O livro ficou entre os finalistas do Prêmio Jabuti. Em 2014, escreve, para Juca de Oliveira, uma adaptação para solo do Rei Lear, de Shakespeare. Nesse mesmo ano, 27 de seus poemas, traduzidos para o inglês por Charles Perrone, são publicados pela Machado de Assis Magazine, da Biblioteca Nacional.

27/10/2016