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Artigos

  • Depois do Inferno

    O Globo, em 18/07/2012

    O Instituto Moreira Salles abriu neste fim de semana duas exposições dedicadas ao trabalho memorável de Nise da Silveira. Salta aos olhos a coragem da ”psiquiatra rebelde”, como propõe o itinerário de leitura de Luiz Carlos Mello, sendo impossível não sair de lá emocionado. Não sair arrebatado com as obras realmente fascinantes de Emygdio e Raphael, considerados, por Heloísa Espada e Rodrigo Naves, “dois modernos no Engenho de Dentro”.

  • A Longa Noite Síria

    O Globo, em 20/06/2012

    As notícias da Síria não podiam ser mais dolorosas.  Como se a lógica do pior não tivesse escrúpulos em progredir, alimentada pelo ódio irreversível das facções no auge da guerra civil. Assusta o número de mortos, alguns dos quais com sobrenomes que recordam o das famílias que me abriram suas casas de forma tão generosa naquele país.

  • A cidade dos vivos

    O Globo, em 23/05/2012

    Enquanto a presidente Dilma Rousseff anunciava em Brasília a mais que esperada Comissão da Verdade, um velho sobrado, na rua do Lavradio, desabava de modo irreversível. Segundo as estimativas do Crea,  uma centena de prédios antigos corre o mesmo risco de naufragar nas ondas do descaso. 

  • Universidade Democrática

    O Globo, em 25/04/2012

    O Ministério da Educação abre uma janela para a universidade brasileira, ao estender para a graduação a modalidade de estudos no exterior, a conhecida bolsa-sanduíche.

  • Elogio do Inacabado

    O Globo, em 23/04/2012

    Leonardo Boff escreveu um livro denso com a leveza de uma prosa luminescente, minimalista e breve. Em Cristianismo: o mínimo do mínimo, Boff dá mais uma vez provas sobejas do alcance de seu fazer teológico, nos limites de uma cultura da paz e da emancipação. 

  • Políticas da Memória

    O Globo, em 21/03/2012

    A notícia do fim da Enciclopédia Britânica, em formato real, foi recebida pela imprensa com um misto de triunfalismo e saudade. Se, para muitos, o oráculo de Delfos da Wikipédia levou Apolo e Atenas para a fila dos deuses desempregados, para outros teve início a cerimônia de adeus. 

  • Diário de Drácula

    Valor Econômico, em 16/03/2012

    Nesses dois últimos anos houve uma devastadora  epidemia de vampiros, que assolou nosso mercado editorial. Monstros aparentados com Drácula ou com a brigada dos diabos dantescos, sob os raios canônicos da lua e os não menos clássicos e afiados  caninos. Podemos tomar tranquilamente um bom café na companhia do conde romeno e de suas variedades: um sem-número de figuras ambíguas, vagantes, filhas do reino das trevas. 

  • Bárbaros na Grécia

    O Globo, em 22/02/2012

    Há quem julgue insuficiente explicar o mundo que nos cerca, a partir da ideia da modernidade líquida, cujo ponto de vista parece ter cumprido seu destino crítico. As metáforas também envelhecem. Se com as novas  leituras de Marx havíamos  detectado a passagem do estado sólido para o estado líquido, a interpretação das dinâmicas do mercado seria mais legível no estado gasoso.

  • Arte de Naufragar

    O Globo, em 25/01/2012

    A cem anos do naufrágio do Titanic, o Costa Concórdia não chega a ser um texto forte, mas uma nota de pé de página. Um deplorável libreto em preto e branco – sem o drama da metáfora daquela branca montanha de gelo – cheio de lances absurdos, dignos de uma opereta de gosto duvidoso, ou de uma velha história em quadrinhos, definida com repetidos traços maniqueístas. 

  • A Reforma política

    O Globo, em 28/12/2011

    Se é verdade que a sociedade civil é fruto de uma utopia do Iluminismo e, por isso mesmo, habitada pela incompletude e pela incessante revisão de seus princípios, no caso brasileiro as lacunas parecem abismos e reclamam maiores cuidados. O ano termina  com a sofrida renovação das pastas ministeriais,  a criação do PSD e a volta de conhecido representante do Pará ao Senado Federal. 

  • O sequestro da memória

    O Globo, em 30/11/2011

    Na semana da incontornável, e de há muito esperada, cerimônia do início da Comissão da Verdade, o silêncio a Vera Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, foi a nota dissonante do evento, para que se "evitasse constrangimento" aos comandantes militares ali presentes. 

  • Diálogo aberto

    O Globo, em 30/10/2011

    Há quem defenda, com atraso de dois séculos, o fechamento da cultura brasileira, revogando a abertura dos portos da inteligência. E a pretexto de defender "nossa boa arte", pregam um estreitamento de fronteiras para impedir a "contaminação de culturas estranhas". Essa vigilância ideológica, que remonta ao paleolítico de uma visão comprometida, seria o anjo da absurda presunção de uma defesa geográfica. Anjo sem asas, com sotaque extremista e fixação identitária.

  • Lucca Dentro

    Prêmio Pantera de Ouro, em 29/10/2011

    Presso la pantera, volgo il mio sguardo prudente alla lupa, alla lonza e al leone. Prego sulla facciata di San Michele in Foro che mi lascino entrare.  Non mi resta che dire: Sono quel che vien dall’altra parte.  Dal meridione estremo. Foris portam. Son quel che non c’è mai o quel che appena posa e subito riparte. Così straniero e  prossimo.ro. Lonza e  pantera, mentre chiedo:

  • Tardes de Alba Iulia

    Congresso da Universidade de Alba Iulia na Romênia, em 22/10/2011

    Sou um vassalo da língua portuguesa. Pago tributo em peças de ouro ao erário da etimologia latina de meu sublime e incerto suserano.  O português e o romeno ocupam os extremos de um mesmo horizonte linguístico. Eis a razão pela qual  Mircea Eliade traçou um paralelo entre Camões e Eminescu. Somos herdeiros de um latim vetusto.

  • Em defesa das nossas crianças

    O Globo, em 28/09/2011

    As esferas de poder tratam a educação mediante um plano de metas e camadas estatísticas, tão deploráveis quanto duvidosos, submetendo alunos e professores a chantagens numéricas, a um plano de metas em que os gestores (que caem na escola de paraquedas e com planilhas de custeio) decidem a frio os rumos de uma escola eficiente, com resultados imediatos, onde a cidadania é tratada com leviandade. Em paralelo, um menino de dez anos fere a professora na sala de aula e suicida-se logo depois.