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Biografia

Sexta ocupante da cadeira 10, eleita em 11 de abril de 2013, Rosiska Darcy de Oliveira é escritora e ensaísta. Sua obra literária exprime uma trajetória de vida. Foi recebida em 14 de junho de 2013 pelo Acadêmico Eduardo Portella, na sucessão do Acadêmico Lêdo Ivo, falecido em 23 de dezembro de 2012.

Nascida no Rio de Janeiro em 1944 forma-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica. Nos anos 60, inicia seu percurso profissional como jornalista na Revista Senhor, Jornal do Brasil, Revista Visão e O Globo.

Em 1970 tem a carreira jornalística interrompida pelo exílio. Acusada pela ditadura militar de denunciar a prática sistemática de tortura contra opositores políticos é obrigada a se refugiar em Genebra, na Suíça.

Despossuída da língua materna, o exílio a desafia a construir uma nova identidade profissional. O encontro em Genebra com Paulo Freire redireciona seu trabalho para o campo da educação, interesse que se aprofunda no aprendizado junto a seu mestre, Jean Piaget, na Faculté de Psychologie et Sciences de l’Education da Universidade de Genebra. Em 1971 funda com Freire o Instituto de Ação Cultural e participa do processo de reconstrução do sistema educacional em países africanos de língua portuguesa recém-libertados do regime colonial. O livro Vivendo e Aprendendo: experiências em educação popular (Brasiliense, 1980) exprime a vivência dos tempos do exílio.  

Nos anos 70 participa ativamente do emergente movimento internacional de mulheres. Esta experiência inspira os ensaios Les Femmes en Mouvement et l’Avenir de l’Education (Universidade de Genebra, 1978) e Educations et sociétés (UNESCO, 1979). O ensaio Féminiser le Monde(Genebra, 1978) exprime sua valorização da cultura feminina como fator de enriquecimento das relações humanas. Cria na Universidade Genebra um inédito curso sobre o Feminino, tema que fundamenta sua tese de doutorado na Faculté de Psychologie et Sciences de l’Education: La Formation des Femmes comme Miroir de l’Ambiguité. Leciona por dez anos nesta Universidade. 

Seus dois primeiros livros foram escritos e publicados em francês: Le Féminin Ambigu (Editions du Concept Moderne) e La Culture des Femmes: tradition et innovation (UNESCO).

Com o restabelecimento da democracia em 1980 retorna ao Brasil e dá prosseguimento a sua atividade ensaística sobre os temas da educação e do feminino. É assessora especial por quatro anos do vice-governador do Rio de janeiro, Darcy Ribeiro, que, inspirado em Anísio Teixeira, investe na revalorização e qualidade da educação pública.

Em defesa da causa feminina se empenha em promover a chegada das mulheres aos lugares de saber e de poder como exigência de aperfeiçoamento da democracia. Em 1991 funda e preside a Coalizão de Mulheres Brasileiras. Em 1995 é nomeada pelo Presidente da República presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, responsável pela implantação no Brasil das Estratégias da Igualdade, Programa Nacional de Promoção da Igualdade de Gênero (Brasília, 1996).

Em sua ação no plano internacional, co-preside a Delegação brasileira à Conferência Mundial da Mulher em Beijing, integra o Conselho Mulher e Desenvolvimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento e representa o Brasil na Comissão Interamericana de Mulheres da OEA. Propõe a criação e é a primeira presidente da Reunião Especializada da Mulher no Mercosul. Preside a rede internacional Terra Femina: um olhar feminino sobre os temas  globais nas Conferências da ONU sobre População, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social. Consultora da UNESCO sobre A emergência do feminino na cultura, integra o Painel Mundial sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável e o Painel Mundial para a Democracia, presidido pelo ex-Secretário Geral da ONU Boutros-Ghali.

Como contribuição à cidade em que vive, preside desde 2007 o movimento Rio Como Vamos de promoção da participação e responsabilidade cidadã. Foi vice-presidente de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro e é membro do Conselho Diretor da ACRJ, do Conselho Técnico da Confederação Nacional da Indústria e do Instituto Brasileiro de Defesa do Deficiente (IBDD).

Professora do doutorado de Letras na PUC-Rio, aprofundou, ao longo de dez anos, em cursos, conferências e ensaios sua pesquisa sobre a literatura escrita por mulheres. 

Sua visão da cultura feminina como fator civilizatório inspira seu principal ensaio, Elogio da Diferença (Brasiliense, 1991), publicado também nos Estados Unidos, In Praise of Difference(Rutgers, 1998), e reeditado, com nova introdução, pela Editora Rocco em 2012.

Reengenharia do Tempo (Rocco, 2003), segundo marco em sua escrita ensaística, estende seu campo de análise aos problemas do uso do tempo no mundo contemporâneo, com foco em seu impacto na família.

O reencontro com as raízes brasileiras e a língua materna fertiliza sua vocação literária, realizada em quatro livros de crônicas e contos: A Dama e o Unicórnio (Rocco, 2000), Outono de Ouro e Sangue (Rocco, 2002), A Natureza do Escorpião (Rocco, 2006) e Chão de Terra (Rocco, 2010).

Dois novos livros, Elogio da Liberdade: ensaios sobre a ética em tempos de transição e Baile de Máscaras, crônicas sobre a primeira década do século XXI (ambos no prelo), têm publicação prevista pela Editora Rocco no primeiro semestre de 2013.

Presidiu de 2007 a 2015 o movimento Rio Como Vamos de promoção da participação e responsabilidade cidadã. Foi vice-presidente de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro e é membro do Conselho Diretor da ACRJ, do Conselho Técnico da Confederação Nacional da Indústria e do Instituto Brasileiro de Defesa do Deficiente (IBDD), do PEN Clube do Brasil, do Conselho Científico do Museu do Amanhã .

Dentre as condecorações e distinções recebidas, destacam-se a Ordem de Rio Branco, entregue pelo Presidente da República, a Medalha Euclides da Cunha da Academia Brasileira de Letras, a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, o Prêmio Orgulho Carioca da Prefeitura do Rio de Janeiro e a Medalha Nísia Floresta do estado do Rio Grande do Norte.