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Benito Barreto, romancista e jornalista, encerra o ciclo de conferências da ABL ‘Guimarães Rosa, escritor e diplomata’

A Academia Brasileira de Letras encerrou seu ciclo de conferências do mês de março de 2018, intitulado Guimarães Rosa, escritor e diplomata, com palestra do romancista e jornalista Benito Barreto. O tema escolhido foi Rios e Riobaldos. O evento foi realizado terça-feira, dia 27 de março de 2018, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Foram fornecidos certificados de frequência.

“Em Rios e Riobaldos configuro e perfilo, a um só tempo, os nossos grandes rios, notadamente em Minas, e a presença do Cangaço, em geral, os margeando e marcando com seu traço forte nossa história e cultura, o cancioneiro popular e a nossa literatura, como em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa”, comentou o conferencista sobre sua palestra..

“Meu texto toma de Grande Sertão: Veredas o que aí é principal – o sertão e a guerra, seus personagens e heróis, protagonistas, notadamente Riobaldo e Diadorim – que me permito decifrar ou adivinhar para lá e além de sua fala, feitos e contidos gestos, poucos; dos seus embaraços e inibições, calados vivendo o drama do seu amor sem vez, em cujos silêncios entro; dou-lhes voz; empresto gestos, falas, reações e movimentos e, com eles, pois, mais  me demoro no que acaba em fatal duelo à faca no curso do qual o menino do rio mata e morre às mãos do pactário Hermógenes e a Riobaldo, em desespero, só então, já morto é que revela-se mulher. A conferência culmina com minha leitura e visão pessoal dos três – Riobaldo, Diadorim e o Sertão.

O CONFERENCISTA

Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929, no arraial de Dores de Guanhães, hoje cidade, nordeste de Minas Gerais. Em 1940, ingressa no Ginásio São Francisco, em Conceição do Mato Dentro, onde começa a escrever poesias.

Aos 16 anos, em Belo Horizonte começa a trabalhar como revisor na imprensa local, quando trava seu primeiro contato com as obras e referências fundamentais do socialismo. Logo passa a se dedicar ao Jornal do Povo e ao Partido Comunista Brasileiro.

Trabalha no jornal O Momento, em Salvador, e atua também no interior do Estado. No início dos anos 50, retorna a Belo Horizonte, integrando a Redação do Jornal do Povo, do Partido Comunista, e trabalha ainda em diversos jornais da Capital – Correio da Tarde, Tribuna de Minas e Correio do Dia.  Torna-se secretário da revista de cultura Horizonte, fundada e dirigida pelo poeta Otávio Dias Leite, onde publica contos e crônicas.

Em 1962, seu primeiro romance, Plataforma vazia, é lançado com prefácio de Jorge Amado e ganha o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”. Benito ingressa no curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, já, então, escrevendo Capela dos Homens, um dos prêmios Walmap 1967 (comissão julgadora: João Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antônio Olinto), lançado pela Record/Rio em 1968. Este romance forma, com Plataforma vazia, Mutirão para matar e Cafaia” a tetralogia Os Guaianãs.

Capela dos Homens e Cafaia foram traduzidos e lançados em um só volume, em Moscou, numa edição ilustrada de 100 mil exemplares. Em 2009, Benito lança Os Idos de Maio”, 1º volume de nova tetralogia: Saga do Caminho Novo, logo seguido de Bardos & Viúvas e de Toque de silêncio em Vila Rica, e do terceiro, Despojos: a festa da morte na Corte.

Esta Saga recebeu, das mãos da poeta Stella Leonardos, por três anos consecutivos (2010 a 2012), o prêmio de melhor romance histórico do ano, pela União Brasileira de Escritores – seção Rio de Janeiro.

Em 2013, celebrando o seu jubileu de ouro literário, é lançada a caixa comemorativa Benito Barreto – 50 anos de literatura, contendo a quarta edição de Plataforma vazia e o livro Benito Barreto – 50 anos de literatura, de autoria de Rachel Cardoso Barreto, sua neta, recuperando a trajetória de vida e criação literária do autor.

Membro da Academia Mineira de Letras, Benito Barreto vive e trabalha em Belo Horizonte, hoje revendo mais um romance, ainda sem título e editora.

27/03/2018

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