Início > Artigos > Educação pede bom planejamento

Educação pede bom planejamento

A tecnologia está mudando a educação, não apenas na organização, escolha e disponibilidade dos conteúdos, mas também na distribuição. Isso obriga instituições de ensino a se adaptarem, ou vão fracassar nos novos conceitos da sociedade digital. Um dos objetivos da educação é desenvolver a capacidade de tomar decisões conscientes, formar o cidadão para a sociedade, tornando-os mais críticos sobre assuntos do cotidiano. 

Há uma disseminação geral das tecnologias da informação e comunicação. É possível perceber que, de forma geral, elas integram a vida das pessoas, estão presentes em diversos segmentos e influenciam a vida social. A escola, como centro de formação e do saber, não pode negar o relacionamento entre o conhecimento no campo da informática e os demais setores do saber humano. Trata-se de nova forma de linguagem e de comunicação. 

Hoje, só uma em cada 10 escolas públicas que oferecem ensino fundamental (1º ao 9º ano) no Brasil tem laboratório de ciência, de acordo com dados do Censo Escolar 2015. Isso dá menos de 10 mil escolas de ensino fundamental regular, de um total de 112.393 espalhadas pelo país. 

O ensino por experimentação, como requer a Base, demanda pesquisa — o que, hoje em dia, é impossível sem acesso à internet. No Brasil, a maioria das escolas tem laboratórios de informática trancafiados em salas que ninguém acessa, e a internet, quando existe, não dá conta de pequenos downloads. Se a Base Curricular não vier acompanhada de bom planejamento, corre o risco de ficar desconectada da realidade. 

A sociedade contemporânea vive conectada à mídia, o que acarreta uma mudança considerável na velocidade de propagação da informação, da mesma forma que colabora para a criação de ambientes virtuais e de outro espaço de comunicação. 

Com o atual nível de extremo desenvolvimento dos meios de telecomunicação, como as redes interativas de computadores, vídeos e áudios, é possível um diálogo mais ágil e particular com o professor e, principalmente, com os próprios alunos. Assim, esses meios de comunicação viabilizam programas menos estruturados que os meios de comunicação impressos e gravados. 

Com o desenvolvimento das tecnologias, o aluno tornou-se cada vez mais autônomo e independente, sem ficar limitado pelas restrições de tempo e espaço. Países da Europa, África e América têm se destacado como propulsores de metodologias ligadas às novas tecnologias. Como exemplo de inovações tecnológicas no âmbito do ensino, a partir de 1994, com a expansão da internet nas instituições de ensino superior (IES), as universidades brasileiras começaram a ofertar cursos superiores a distância e a utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) com maior frequência. Desde então, a educação a distância criou um mercado amplo e sem precedentes cujas fronteiras parecem infinitas. 
Estamos vivendo em pleno mundo digital. Embora ainda existam bolsões de pobreza, a verdade é que, de 20 anos para cá, a internet comercial é uma realidade, hoje com cerca de 3 bilhões de navegantes. Ter um celular passou a ser um direito humano para cerca de 5,2 bilhões de pessoas, que representam três quartos do mundo. 

A esse incrível número correspondem empresas que valem 2,4 trilhões de dólares na Bolsa de Valores de Nova York. A internet continua a crescer, inclusive porque Google e Facebook têm projetos sociais de implantar a benfeitoria em regiões carentes. É forma de valorizar o que entendemos por direitos humanos universais. Vídeos são vistos em celulares, registrando fenômeno novo em escala mundial: são telas verticais e móveis. Há 20 anos seria pouco provável que se pensasse nessa possibilidade.

Correio Braziliense, 31/08/2017