O novo livro do Acadêmico e escritor Paulo Henriques Britto é um equilíbrio entre o ceticismo e a descrença. Marcado por uma linguagem afiada e irônica, “Embora” será lançado na próxima terça-feira, dia 17 de março, às 19h, na Livraria da Travessa de Botafogo.
O livro, da editora Companhia das Letras, retrata a própria insistência em escrever, em tentar encaixar o mundo na forma fixa do verso.
Os poemas de Paulo Henriques Britto sugiram da resignação e pessimismo, porém uma segunda leitura pode revelar o sentido oposto. Para o Acadêmico, o poema não tem como pretensão oferecer soluções para os problemas do mundo, muito menos de dar fim às nossas angústias individuais.
Segundo ele, "o poema cria uma existência/ não real, mas não de todo improvável,/ uma presença falsa que compensa". É nessa ausência, ou falsa presença, que a poesia mostra ser capaz de oferecer "o gosto, o som, a cor" e, assim, curiosamente, cumprir "o que promete".
Sobre Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro, 1951) é escritor, tradutor e professor de tradução, literatura e criação literária.
Publicou quatorze livros: oito de poesia — Liturgia da matéria (1982), Mínima lírica (1989), Trovar claro (1997), Macau (2003, publicado também em Portugal em 2010), Tarde (2007), Formas do nada (2012), Nenhum mistério (2017) e Fim de verão (2022); dois de contos — Paraísos artificiais (2004) e O castiçal florentino (2021) —três de ensaios — Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio (2009), Claudia Roquette-Pinto (2010) e A tradução literária (2012) — e um infantojuvenil, As incríveis aventuras do super-herói Cupcake Gigante e seu fiel escudeiro Jarbas (Editora 34, 2025).
Antologias de poemas seus foram publicadas em inglês (2007) e em sueco (2014), e sua poesia reunida foi editada em Portugal (2021); seu ensaio A tradução literária foi publicado em espanhol no Chile (2023). Traduziu cerca de 120 livros de autores de língua inglesa, como Jonathan Swift, Charles Dickens, Henry James, Virginia Woolf, V. S. Naipaul, Thomas Pynchon e James Baldwin. Na poesia, traduziu Byron, Wallace Stevens, Elizabeth Bishop e Frank O’Hara, entre outros.
Na poesia, traduziu Byron, Wallace Stevens, Elizabeth Bishop e Frank O’Hara, entre outros. Verteu para o inglês dez livros de autores brasileiros, inclusive obras de Luiz Costa Lima, Flora Süssekind e Ferreira Gullar. Ganhou diversos prêmios literários, como o Portugal Telecom (atual Oceanos), o Prêmio Bravo! Bradesco Prime e o da Fundação Biblioteca Nacional, e o segundo ou terceiro lugar do Jabuti em três ocasiões.
12/03/2026