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Artigos

 
  • O Bolsa Blindagem

    O Globo (RJ), em 15/09/2008

    Louvor em boca própria, bem sei, é vitupério, como diziam os antigos. Hoje ninguém mais diz isso, até porque suspeito que ninguém mais sabe o que é vitupério. Pensei em traduzilo para “uma parada sinistra”, mas fiquei com medo de cometer algum equívoco, porque não domino bem os vocábulos que, com admirável poder de concisão, compõem o cabedal lingüístico da maior parte do nosso povo atual, demonstrando que ninguém precisa de mais que trezentas palavras para ser feliz. Bem, trezentas e cinqüenta para os muito letrados, mas acima disso é elitismo.

  • Direitos humanos e regime de castas

    Jornal do Commercio (RJ), em 12/09/2008

    Vamos aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, feita à saída do último conflito mundial. Lugar, talvez, agora onde mais se imponha, esta comemoração, como um clamor de consciência e uma chamada à responsabilidade de nosso tempo não é outro senão a Índia. Ostensivamente democrata sobrevive com o mais inabalável regime de castas e de discriminação social em nosso tempo. E num conformismo que tendemos a esquecer, tanto o país se mantém em 80% de sua população vinculada ao hinduísmo.

  • José Olympio reinventado

    Jornal do Commercio (RJ), em 11/09/2008

    Não há nada mais pertinente nem oportuno, ou mesmo mais venturoso, do que se atribuir a um grande editor a tarefa de reviver em livro a vida e as atividades de outro grande editor. É isso o que se constata, de forma superlativamente admirável, ao degustar-se José Olympio. O Editor e sua Casa, organizado por José Mario Pereira para a Sextante e que acaba de chegar às livrarias. Trata-se de obra no mínimo monumental não apenas por seu formato majestoso (31 X 24 cm), mas também, e acima de tudo, pelo opulento cardápio que oferece aos leitores: textos extremamente bem cuidados (inclusive os das legendas de fotos), abundante e valiosa iconografia, beneditino trabalho de pesquisa literária e editorial, com reprodução de depoimentos, artigos, cartas, dedicatórias, capas de livros de uma afortunada época que já se foi, fotos e caricaturas inéditas, bibliografia - enfim, um aparato livresco faraônico que configura, como sublinhou em recente artigo o crítico Wilson Martins, uma "obra-prima de arte tipográfica, documentação historiográfica e preciosa iconografia". Com modéstia, José Mario Pereira define-se como organizador do volume, mas caberia aqui evocar o conceito de autoria, tamanha é a sua participação na arquitetura do livro, no qual nunca será demais relevar a circunstância de que estamos diante de uma obra concebida e escrita por um editor que se ocupa amorosamente de outro da mesma família espiritual e que desde sempre lhe serviu de mestre e modelo.

  • Vilaça presidente

    Tribuna da Imprensa (RJ), em 09/09/2008

    Os dois anos em que Marcos Vinicios Vilaça foi presidente da Academia Brasileira de Letras estão hoje registrados no livro "Para além do pórtico". Assim, parte de suas viagens no exercício da Presidência da Casa de Machado de Assis aparece narrada e explicada, o que dá a seu livro não só um testemunho de um trabalho, mas também um retrato fiel do que é a realidade da Academia Brasileira de Letras e de que maneira exercem os acadêmicos as suas atividades.

  • Pão e circo

    O Globo (RJ), em 07/09/2008

    Juvenal, o poeta romano que pela primeira vez escreveu a frase, repetida há quase dois mil anos e aqui lembrada de forma muito livre, segundo a qual o povo quer mesmo é pão e circo, ou seja, comida e diversão, não era um aristocrata desdenhoso. O fato de sua vida ser misteriosa até hoje vê-se como indício de que foi perseguido pelos poderosos — e no tempo do imperador Domiciano, que, sob muitos aspectos, não era flor que se cheirasse.

  • A música como vocação

    Zero Hora (RS), em 07/09/2008

    Famílias musicais são um fenômeno freqüente e impressionante. Na música erudita, a família Bach é o exemplo clássico, que se repete, contudo, na música dita popular.

  • "J.O."

    Diário de Pernambuco, em 07/09/2008

    Na década de 60 coloquei um terno muito chinfrim, enfardelei expectativas culturais e fui com Mauro Mota e Gilberto Freyre conhecer José Olympio, a Editora, a Cantina Batatais e sentir o clima, a inigualável atmosfera J.O.Vinha do Recife para o meu Rio. Aquela época já era encantado pelo meu Rio. Hoje sou, ainda mais. E as expectativas se confirmaram. Comecei a ver ao vivo, sem retinas no meio, autores que conhecia só nos livros. Foi uma alegria. Fiquei honrado e honorado. Só J.O. não me deu muita importância. Também eu não tinha importância alguma.

  • Maletas e mulatas

    Jornal do Brasil (RJ), em 05/09/2008

    Antigamente, as discussões políticas eram mais suaves. Dom Pedro 2º machucou-se numa viagem à Europa e, na volta, desembarcou de muletas. Os jornais noticiaram a recuperação do imperador, mas um deles, graças a esses antigos pastéis de imprensa, trocou um detalhe importante. A prova de sua recuperação, dizia a notícia, era que Sua Majestade já estava andando, sustentado por duas “muletas”. Pois, não é que em vez de “muletas” a notícia informava que o imperador saíra apoiado em duas “mulatas”! Foi o bastante para que se ameaçasse a liberdade de imprensa e que a discussão se resumisse a saber se o erro fora intencional ou não.

  • McCain entre a honra e o horror

    Jornal do Commercio (RJ), em 05/09/2008

    Neste ano eleitoral inédito nos Estados Unidos avulta o maciço apoio da grande mídia à candidatura Obama. O "New York Times", o "Washington Post", o "Los Angeles Times", mantendo a neutralidade objetiva da informação, entremostram a simpatia pelo candidato democrata, marcado por um voto opção. Esta convicção mais se reforça, hoje, no teor da cobertura dada pela "Time" a McCain, nos dias da sua sagração como candidato do status quo. E, ao seu lado, a da absoluta confirmação da linha dura que assume o voto do GOT com o nome apontado para a Vice-Presidência.

  • A hora dos valores éticos

    Jornal do Commercio (RJ), em 05/09/2008

    Se é verdade que o homem só se torna homem pela educação, devemos estar empenhados na sua melhoria. Em nossa sociedade pluralista, há diferentes formas de valoração, reconhecido que não podemos viver sem um sistema adequado de crenças e valores. A crise atual pela qual passa a Educação coloca esse processo diante de uma indesejável ruptura.

  • O que ele não disse

    Folha de S. Paulo (SP), em 02/09/2008

    RIO DE JANEIRO - O maior gênio que andou por nossas terras foi o jesuíta Antônio Vieira, do qual estamos comemorando os 400 anos de seu nascimento. Imperador da nossa língua, segundo Fernando Pessoa, foi mais brasileiro do que português. Será redundante comentar sua personalidade e sua obra. Pinço apenas um pequeno trecho de um de seus sermões: “Isto foi o que Cristo disse. Atentai agora para o que ele não disse”.

  • Lagostas e frangos

    Folha de S. Paulo (SP), em 31/08/2008

    RIO DE JANEIRO - Se o Supremo Tribunal Federal, ocupando o vácuo legislativo, se preocupa com o uso das algemas, nada demais que a mídia se interesse pela palpitante questão do cardápio servido a um banqueiro que está na prisão esperando julgamento.

  • Uma novidade atrás da outra

    O Globo (RJ), em 31/08/2008

    Não que eu goste tanto atualmente, embora seja viciado, mas todo dia me vejo na obrigação de ler uma porção de jornais, catando assunto sobre o qual lançar a luz do meu entendimento, ou - hélas! - no ver de muitos, as trevas de minha burrice. Mas hoje não. Hoje tem uma pilha de jornais virgens aqui na mesinha atrás de mim. Como metaforizaria um mestre qualquer da nossa prosa cotidiana, não é que me falte o Viagra da curiosidade e do interesse pelo que se passa no mundo, mas me sobeja vasto harém de fatos notáveis, momentosos, assombrosos e semelhantemente adjetiváveis, de maneira que se requer grande virilidade cívico-jornalística de minha parte e, já no avançado de minha idade, sou forçado a obedecer a naturais limitações.

  • Depois do fundamentalismo ambiental

    Jornal do Commercio (RJ), em 29/08/2008

    No quadro, hoje, do desenvolvimento sustentado vencemos uma nova barreira qual a do fetichismo ambientalista. No âmbito ainda de uma maturação cultural é conhecido o fenômeno da sofreguidão em nos apossarmos, numa primeira sideração dos reclamos das ditas linhas de ponta da civilização ou da modernidade. Ao avançarmos na consciência cívica nacional assumimos a defesa dos direitos humanos, seguido das exigências sociais, da luta contra a exclusão e o empenho da desconcentração da riqueza, herdada ainda da nossa velha condição semicolonial.