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Artigos

 
  • O ideal olímpico

    O Globo,, em 11/10/2009

    Aqui na ilha, depois do advento da televisão e das transmissões por satélite, acompanhamos de perto todos os eventos esportivos em que o Brasil se envolve, mantendo nossa intransigente tradição patriótica. Bem verdade que, de início, ocorreu certa estranheza quanto a alguns esportes a que não estávamos afeitos. Nos primeiros jogos de vôlei aqui exibidos, houve aqueles que comemoravam quando o Brasil metia uma bola na rede, na convicção de que, como no futebol, vôlei é bola na rede. A marcha, para citar apenas um outro exemplo, é desdenhosamente designada por muitos como “o remelexo” e a crença geral é de que o brasileiro não entra nessa modalidade porque pega muito mal aparecer rebolando na televisão para todo mundo ver, inclusive ou principalmente a sogra.

  • Um cartão ouro

    Jornal do Brasil (RJ),, em 02/10/2009

    Ninguém tem a verdadeira noção da importância de possuir um cartão de crédito. Ainda mais se for Ouro. É que pessoa alguma se dá ao luxo de ler a documentação que o acompanha. Em primeiro lugar você é distinguido com uma carta personalizada do presidente de um dos maiores bancos do Brasil e às vezes do mundo. Ele diz que está muito feliz de ter sido escolhido por você e lhe agradece com uma dádiva extraordinária: “Para comemorar a sua escolha você acaba de receber o nosso cartão que permite comprar em quase todas as lojas do mundo”. Para concluir manda-lhe mensagem carinhosa: “Parabéns. Poucos podem ter este cartão, especial como você”.

  • Os sonhos de JK e o futuro

    Folha Dirigida,, em 01/10/2009

    Habilidoso, como sempre, o governador Aécio Neves fez um importante discurso em Diamantina, na solenidade em que foram entregues a diversas personalidades as Medalhas do Mérito JK. Mesmo estimulado pela oração anterior do ex-presidente Itamar Franco, que pediu a volta de Minas ao centro do poder, o neto de Tancredo Neves não “mordeu a isca” – e fez um pronunciamento de estadista muito mais do que de um político.

  • Política é conversa

    Folha de S. Paulo (SP), em 06/03/2009

    Mais do que as casas, as ruas de Brasília dão problema. Teotônio Vilela, que era um grande "causeur", sempre me dizia que a cidade fora feita para ninguém receber citação judicial, com endereços que apenas referem números e pontos cardeais, como em Nova York, tentando evitar elitismos e criando o primeiro deles, que é de saber, num tempo em que a maioria da população era candanga, quase analfabeta, destas coisas que marcam a Terra.

  • Bolsa Família pode ter efeito reverso

    Jornal do Commercio (RJ), em 06/03/2009

    Para muitos, o assistencialismo é uma prática diversionista, pois camufla as necessidades reais profundas da nossa sociedade. É sempre difícil ao observador criticar os seus efeitos imediatos. Veja-se o caso do Bolsa Família, de que tanto se orgulha o Governo Lula. Há mais gente se alimentando, sobretudo nos estamentos mais pobres da população – e isso para os pragmáticos é o que interessa. No entanto, isso tudo tem um caráter eminentemente efêmero. Pode acabar com uma penada oficial – e o que restará? Possivelmente, mais gente revoltada, dada a perversidade do sistema implantado nos últimos anos.

  • A justiça como é feita

    Jornal do Commercio (RJ), em 05/03/2009

    Um filme de André Cayatte (Justice est faite) conta a história de um réu acusado de um crime. Ele alega inocência, o juiz fica em dúvida e, na dúvida, não o condena à morte, mas à prisão por oito anos. Cayatte, que além de cineasta era advogado militante, termina entrando na história com o seguinte comentário: “Se o réu é culpado, a pena foi pouca. Se o réu é inocente, a pena foi muita. De qualquer forma, a justiça dos homens foi feita”.

  • Oposição e vácuo político perverso

    Jornal do Brasil (RJ), em 04/03/2009

    RIO - A popularidade de Lula, de 84% nesses idos de março, é o dado inédito das projeções políticas do nosso crescente desenvolvimento sustentado. Não é uma componente esperada da maturação da mudança, mas um lance fundador, do que possa ser uma tomada de consciência da mudança radical dos cenários da nova década. O homem do Planalto se solta de qualquer carisma original no seu êxito e independeu, por inteiro, dos sucessos ou fracassos do PT.

  • Ética, uma joia rara?

    Folha Dirigida (RJ), em 03/03/2009

    A amiga Márcia Peltier pede minha opinião sobre o emprego (ou não) dos princípios da Ética, na vida brasileira. Primeiro penso em Sócrates, que viveu no período de 469 a 399 a.C. Refletiu sobre a luta entre o bem e o mal, ao dedicar-se a estudos sobre Ética e Conhecimento. Para ele, o vício é o resultado da ignorância do homem, enquanto o conhecimento leva à virtude. A sua clássica ironia o colocava, no começo de uma discussão, sempre na condição do “sei que nada sei”, expressão que hoje está em voga, na nossa política. Conhecendo o bem o homem em geral é levado a agir bem.

  • Pecunia non olet

    Jornal do Commercio (RJ), em 03/03/2009

    Publiquei há tempos, neste mesmo espaço, crônica com este título: ‘Dinheiro não tem cheiro’. Explico a citação: para impedir sujeira nas ruas de Roma, Vespasiano mandou construir mictórios públicos que receberam o nome do imperador. Para compensar o investimento, taxou os vespasianos – até hoje existem alguns no centro histórico da cidade. Seu filho reclamou: achou que era demais cobrar impostos de uma necessidade pública. Vespasiano pronunciou então a frase que se tornou famosa: ‘Pecunia non olet’.

  • O leopardo

    Folha de S. Paulo (SP), em 01/03/2009

    Não é do meu gosto nem de minha obrigação comentar intenções de quem quer que seja, sobretudo de chefes de estado – com exceção parcial do nosso presidente, uma vez que tudo o que ele diz ou insinua pode se transformar numa esperança ou numa catástrofe.

  • Nó de cachorro

    Jornal do Commercio (RJ), em 26/02/2009

    A cada desfile no sambódromo, lembro sempre um conto de Marques Rebelo, que anda um pouco esquecido, mas que pegou com sucesso o veio carioca do romance nacional, iniciado com Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um Sargento de Milícias), Machado de Assis e Lima Barreto.

  • Só a educação redime

    Jornal do Commercio (PE), em 26/02/2009

    Não se tratava de obsessão. Era muito mais a identificação com um pensamento que encaixava à perfeição no ideal pedagógico de dom Lourenço de Almeida Prado, extraordinário educador e homem de fé, que nos deixou aos 97 anos de idade. Durante 45 anos dirigiu com muita propriedade o tradicional e respeitável Colégio de São Bento.

  • Democracia: passado, presente e futuro

    Folha de S. Paulo (SP), em 25/02/2009

    A DEMOCRACIA e as formas republicanas de governo tendem a se expandir em todo o mundo, principalmente depois do fim da chamada Guerra Fria e, mais recentemente, diante dos influxos e afluxos da onda globalizadora que permeia nossos tempos.

  • O Mosteiro dos Tijolos de Feltro

    Folha de S. Paulo (SP), em 20/02/2009

    INFINITA É a capacidade do homem em buscar sarna para se coçar. Se até agora não demos o nosso recado, é evidente que quebramos a cara, e o remédio é assumir o fracasso e tratar de fazer pouco barulho. Foi mais ou menos o que não fiz quando tive tempo e pretexto para ficar quieto num canto e deixar o mundo fazer aquilo que o nosso presidente chamou de "sifu".