Portuguese English French German Italian Russian Spanish
Início > Artigos > Artigos

Artigos

 
  • Depois da luta

    Diário da Manhã (GO), em 12/10/2010

    Antes de começar o debate, a movimentação no estúdio da Bandeirantes parecia os preparativos para uma luta de boxe, os contendores em cada canto, os treinadores dando as últimas instruções, a contagem do tempo e, nos intervalos de cada round, a entrada no ringue dos segundos, aqueles caras que levam toalhas e baldes para a recuperação dos estragos.

  • Entre o Brasil arcaico e o novo

    Diário da Manhã (GO), em 12/10/2010

    A última decisão do Supremo Tribunal Federal, em que houve empate no assunto fundamental, que foi o das “fichas limpas” dos políticos, revelou-se o confronto cioso entre o Brasil velho, patrimonial, arcaico e o Brasil jovem, aberto ao mais arejados horizontes.

  • Explicando Deus

    Diário de Pernambuco, em 11/10/2010

    Não adianta pedir explicações sobre Deus; pode-se escutar palavras bonitas, mas, no fundo, são frases vazias. Da mesma maneira que você pode ler toda uma enciclopédia sobre o amor, e não saber o que é amar.

  • Sapatos do repuxo

    Diário da Manhã (GO), em 11/10/2010

    Não tenho mais domingo igual àquela pedra imensa, o rio anda com sapatos do repuxo, as palavras ainda são rápidas como peixes. As fábulas pulam verdes, iguais às rãs. E encostado numa árvore, já não arrolo nada e começo devagar a morrer, mesmo que a infância nunca morra. Nem envelhece jamais. Porque não conta tempo, conta luz. Tinha um cão que saía da infância e se chamava “Lex” efeneceu sem latir artigo algum. Deitou-se azul e foi sumindo. E ficou uma mancha celeste, onde as comitivas das formigas se reúnem.

  • Renovação da Língua (2)

    O Dia (RJ), em 10/10/2010

    Os termos e locuções de fontes estrangeiras eram trazidos por pessoas que sabiam os idiomas, ou que tinham sobre eles alguma informação de pronúncia e grafia; por isso, se vestiam com as feições originárias. Admitidos na linguagem diária, muitos desses estrangeirismos mais usados podiam ser acomodados à pronúncia e grafia do português, que os recebia; aportuguesavam-se, apesar da crítica de juízes mais exigentes.

  • Saúde & comunicação

    Correio Braziliense, em 24/08/2010

    Recentemente, um novo índice de valores humanos foi divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Trata-se do IVH (Índice de Valores Humanos), que abrange três áreas, trabalho, saúde e educação. Para avaliá-las, foram entrevistas 2.002 pessoas em 24 estados. Emergiu daí uma classificação para as três áreas, sob forma de uma “nota” que varia de zero a 1, sendo 1 o melhor resultado. O Brasil tem um IVH de 0,59. Houve uma variação por área no que se refere ao trabalho, o resultado foi de 0,79. Na educação, o índice foi de 0,54, e na saúde, em 0,45. Na avaliação desta última área, considerou-se o tempo de espera para atendimento médico ou hospitalar, o interesse da equipe de saúde tal como percebido pelo paciente e o grau de compreensão da linguagem usada pelos profissionais de saúde. Houve variações regionais importantes; assim, no Norte o índice de satisfação com a saúde foi um precário 0,31. Dos habitantes da região, 67% rotulam como demorada a espera para receber atendimento de saúde e 64% dizem ter dificuldades para entender a linguagem utilizada pelos profissionais da saúde.

  • Carta para Cheik Hamidou Kane

    Fundação Alexandre Gusmão, em 05/07/2010

    Meu caro amigo

    Escrevo para lhe dizer que vamos bem ao sul do Atlântico e de Deus. Algo inquietos com os desafios que se prolongam diante de nossos olhos e assaltados por uma chuva de perguntas, diante da qual não temos respostas.

  • Cartão vermelho e consciência nacional

    Jornal do Commercio (RJ),, em 02/07/2010

    A fotografia exemplar desta Copa é a da família, na casa destroçada, em Palmeiras dos índios, nenhuma parede em pé, mas a televisão, fixada em tijolos, mostrando O jogo a toda a filharada de camisa amarela. O sentimento nacional não poderia ser mais exuberante, nesses milhões mobilizados na paixão desme-surada. O surto, a cada quatro anos, é o da exuberância de cada um, cada vez mais independente dos jogadores, ligada à competição estrita e ao seu ganho, sem concessões. 

  • Medicina e ficção

    Zero Hora (RS),, em 23/01/2010

    Sherlock Holmes, de Guy Ritchie, com Robert Downey Jr. vivendo Sherlock, e Jude Law no papel de Dr. Watson, é o mais novo lançamento numa longa série de filmes. O que não deixa de surpreender. O personagem foi criado há mais de um século – e sobrevive. Por quê?

  • De novo presidente

    Jornal do Brasil (RJ),, em 31/12/2009

    Tomei posse dizendo que estava com mais sonhos do que em 2005 – para sonhar não há limites – porém, e sobretudo, com os acrescidos calos da vida. Sonho como Bandeira: “Com que sonho? Não sei não./ Talvez com me bastar /– Ah feliz, como jamais fui”.

  • Nostalgia da verdade

    Jornal do Commercio (RJ),, em 31/12/2009

    Pequena (ainda) crise no setor militar neste final de ano. O governo deseja implantar um necessário Plano Nacional dos Direitos Hu­manos que cria uma “Co­­missão da Verdade” para apurar torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar que durou 21 anos, de 1964 a 1985.

  • Administrar uma academia

    Jornal do Commercio (RJ),, em 31/12/2009

    Administrar é ter um olho no programa e dois olhos no propósito. A Academia reivindica, por sua representatividade, que nada pode ser decretado pelo governo do País no âmbito da Cultura sem que passe por esta Casa. Dou exemplos: direito autoral é assunto que deveremos afinar; a Internet não pode aparecer como plataforma hostil ao arrepio dos direitos do usuário; a proteção à obra não pode inibir a sua apropriada divulgação no equilíbrio do interesse econômico e do interesse público. Com isto, digo que a base conceitual no campo dos direitos de autor não caberia mais à superada Convenção de Berna, de 1886.

  • As certezas do voto-opção

    Jornal do Commercio (RJ),, em 31/12/2009

    No quadro político brasileiro que desponta na nova década impõe-se a pergunta: o que fará a prazo curto e médio este povo de Lula amarrado ao presidente, independentemente do partido. Falta-nos ainda a perspectiva para saber o quanto o apoio sai, da figura, para os novos rumos do Brasil da mudança em nova maturidade da nossa consciência política. Ao mesmo tempo, a oposição mal começa a enfrentar os confrontos regionais que despertará uma candidatura Serra, confrontando o super Estado frente ao resto do País, ou às rupturas das alianças municipais e estaduais clássicas, pelo avanço do PAC. Este fim de ano, por outro lado, exauriu, de vez, do país anti-Lula a retórica moralista, ao se ver o nível da democraticíssima corrupção brasileira, de como chegou ao núcleo pelo PSDB e pelo DEM. Não nos demos conta, ainda, da resistência coriácea do sistema ao escândalo, nesta pertinácia com que o governador Arruda joga com a boa desmemória frente à mais sistemática e ampla daspropinas como facilitário do poder.