Início > Noticias > Morre no Rio de Janeiro, aos 95 anos, o Acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe

Corpo do Acadêmico Helio Jaguaribe é sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras

“A ousadia do pensamento de Helio, as virtudes de seu espírito inquieto e atento aos desafios do presente representam uma cultura que guarda algumas semelhanças com as sinfonias de Beethoven. A música de Helio é a humanidade e o Brasil, a visão da história e do homem no cosmos. Perdemos um grande pensador”, disse o Presidente da ABL, Marco Lucchesi, em sua saudação de despedida.

O corpo do Acadêmico, jurista, sociólogo, cientista político e escritor Helio Jaguaribe, falecido no dia 9 de setembro, domingo, aos 95 anos, foi sepultado nesta quarta-feira, dia 12 de setembro, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Compareceram ao velório, realizado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, Acadêmicos, autoridades, jornalistas, parentes e muitos amigos. Helio Jaguaribe era o nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado, e recebido em 22 de julho de 2005, pelo Acadêmico Candido Mendes de Almeida.
 

O ACADÊMICO

Helio Jaguaribe de Mattos, academicamente conhecido como Helio Jaguaribe, nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1923, diplomando-se em Direito, em 1946, pela Pontifícia Universidade Católica desta cidade. Em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais, um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp), de que foi Secretário Geral e Diretor da revista do Instituto, Cadernos de Nosso Tempo, de relevante influência no Brasil e na América Latina.

Em 1956, teve a iniciativa de promover a constituição do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado Chefe do Departamento de Ciência Política. Exonerando-se de ambas as funções em 1959, por discordância com mudanças na orientação do Instituto. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.

Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos: de 1964 a 1966, na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.

Retornando ao Brasil em 1969, ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi Diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado Decano do novo Instituto, função que exerceu até 2003. Nessa data, completando 80 anos, propôs sua substituição por um scholar mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-Ministro da Cultura do Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi escolhido para o cargo. A Helio Jaguaribe foi conferido o título de Decano Emérito e, nessa qualidade, continuou ativamente suas pesquisas no Instituto.

Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992); da Universidade de Buenos Aires (em 2001). Em 1996 foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu-lhe, por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.

12/09/2018