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As novas rebeldias parlamentares

Só cresce, nestes dias, a dificuldade de Temer em obter a aprovação de seus projetos e, sobretudo, da nova legislação sobre a previdência. Depara-se, ao mesmo tempo, a figuração de novos blocos parlamentares, em função de uma reorganização da força de voto do PMDB no comando das maiorias parlamentares. E a fissura está na evidência da pretensão de Renan Calheiros a esse comando, na busca das maiorias em toda emergente negociação com o Congresso. Seu contraponto é, significativamente, Eduardo Cunha, que não se descartou do cenário político e que, a partir do presídio de Bangu, mantém o comando de sua força originária, evidenciando a sua força na busca de votos do presente status quo. Temer não se ilude frente aos novos impasses. Não entra em confronto com os seus ministros ameaçados, mas, ineditamente, convida os suspeitos a tomarem a iniciativa da saída do governo. De toda forma, só aumenta a perplexidade quanto ao avanço das ditas reformas do aparelho legislativo nos próximos meses. Mal começa, por outro lado, o impacto do possível bloco de Calheiros, a comandar um PMDB rebelde e, sobretudo, a permitir ao PT sair da sua presente inércia política. Tentará o Partido dos Trabalhadores, em função de Lindbergh, precisar as suas imediatas reivindicações políticas? Ou defrontaremos novas coalizões a darem fôlego aos minipartidos, saindo o país da polarização e de sua presença inócua na presente aparelhagem de poder? De toda e forma, e já no horizonte das confessas neocandidaturas presidenciais, a perspectiva de eventuais inelegibilidades, a partir da Lava Jato, vai à inevitável busca da blindagem de candidaturas como a de Aécio. E é nessa mesma medida que discussões como a da prescrição de culpas chegam ao cerne da luta política e abrem caminho a novas legislações de emergência, a partir de alianças em que Renan Calheiros começará a dizer a que veio.

 

O Imparcial (MA), 01/04/2017